Eterno arquivo do que já não interessa
Vazio Infinito

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Insone e o Covarde Pt. 4

Quarto Capítulo - A Insônia do Covarde

O covarde achou as chaves. Seu irmão já estava vindo e ele não fazia idéia do que fazer... Devia abrir a porta e esperar do lado de fora? Não, ainda havia o sol e logo após dele viria a lua. Ele não estava pronto pra sair. Ele foi até a sala e abriu a porta, depois voltou ao quarto e esperou.

A noite caiu e com ela veio o pânico. Para variar... Se dependesse dele iria encurtar a conversa o máximo possível, já passava da hora do sono definitivo do dia. Sentiu-se triste pelo seu irmão. Sabia que ele já não dormia há muito tempo, nem mesmo usando remédios. Se pudesse, e tivesse coragem, trocaria de lugar com ele.

A campainha tocou, o insone havia chegado. "Tá aberto, entra", o covarde gritou. O pânico como sempre o impediu de se levantar e ir receber o seu irmão da forma como devia, mas ele já havia se acostumado. Seu irmão foi até seu quarto e olhou ao redor, deve ter percebido aquelas cartas pra todas as pessoas que o covarde tinha machucado...pedidos de desculpas nunca entregues pelo medo."Levanta. Vamos conversar lá fora", o insone disse."Por que lá fora? Temos tudo que precisamos aqui", ele respondeu. "Lá fora, você precisa sair". A discussão se alongou, mas o covarde tinha medo de contestar seu irmão tão amado. Sairam.

Um silêncio aterrorizante se abateu sobre os dois. Ele teve medo de ter decepcionado o irmão com aquela fraqueza e por isso o mesmo não queria lhe falar nada."Como vai?" saiu da boca do insone. Bem. Bom, ele não iria dizer ao irmão que estava mal, tinha medo de que ele se preocupasse demais, mesmo estando magro demais, branco demais... fraco demais como sempre. Ele não tinha coragem de falar nada. Se arrependeu de ter ligado e feito o irmão se deslocar tanto até lá. Ficou calado.

O insone se levantou e foi embora em seu carro. O covarde só pode olhar atordoado toda aquela cena. Quis ser forte e ir atrás, mas tinha medo de incomodar seu irmão. Entrou em casa e se trancou novamente. Começou a chorar. Será que tinha deixado seu irmão decepcionado? É claro, quem não se decepcionaria com um irmão como ele? O insone sempre fora seu exemplo, seu herói, sempre fora alguém pra o proteger. Deitou na cama e se virou. Fechou os olhos. Mentalizou as palavras que o faziam dormir. Nada. Não conseguiu esquecer o irmão indo embora. Suou frio de medo. Pela primeira vez percebeu que teria de enfrentar o seu medo.

Sabia, essa noite seria longa...

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