Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

24 de Agosto de 2017

Nada disso é sobre viver
É sobre se perder nas contas
E já não segurar as pontas
Se aprofundar na angústia de sobreviver


Nada disso é sobre ter felicidade
É só alivio cada vez mais raro
Pagar o preço cada vez mais caro
E já não ver encaixe na sociedade


Nada disso é sobre aprendizado
É apanhar mantendo a compostura
E ver que tudo se torna amargura
E já nem crer que o esforço é compensado


Nada disso é sobre poesia
É o sedativo pra este sofrimento
Pontuação que encerra o momento
Pra gente esquecer da vida vazia

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Saturado

São horas que se estendem por bem mais do que entendemos
E sonhos distorcidos pelas telas tão brilhantes
Um mundo assim tão vasto, mas tão pouco fascinante
Estamos saturados de tudo o que já conhecemos

Indiferença

Eu silencio o escândalo potencial de minha ruína
Na demão de tinta que me cobre a imperfeição
Remendando novamente o que sobrou do coração
Por adequação é que a gente aceita viver na rotina

Sei que nada disso basta, sei do mundo e sua vileza 
E que nada tem valor porque tudo é subjetivo
Talvez por saber disso é que eu reduza minha certeza
À vida tempestuosa pra alcançar um objetivo

Mas no fim não vale a pena, não vale coisa qualquer
E nada cura a sensação de ser um teatro por fora
E nada mata minha vontade: apagar tudo e ir embora
Sublimando as sensações até meu corpo desfazer

E por postura ou hombridade a gente segue andando em frente
E nem entende muito bem se é por vontade ou por pressão
Vai aos poucos misturando o que é verdade e o que é ilusão
Matando os sonhos lentamente até morrer indiferente.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Muito Amor Desperdiçado

Muito amor desperdiçado em tantas noites sem dormir
Costuro frases pra ninguém, pois já usei de tanto nome
Que a lua me abandone já que ninguém fica aqui
Pelo menos leva embora a culpa que me consome

Não foi pra machucar e nem para ser machucado
Tudo aqui é só um misto de vontade e confusão
E uma série de outras vozes que ecoam no meu coração
Tudo o que eu desejei foi amar e ser amado

É complicado estar aqui assumindo o que eu fiz
Eu podia ser melhor, mas eu nunca me importei
E agora é delicado aceitar que magoei
Tanta gente que me deu tanto do que tinha em si

Se fui bom ou fui ruim? Nunca foi suficiente
E agora sou tão diferente que acho graça do passado
Eu pecando no cuidado, amando e sendo displicente
Recebendo indiferente todo amor que me foi dado