Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Luz

Devo acender a luz?

Assinar aqui a concordata de que a vida é isso mesmo
E abdicar de vez da longa busca por sentido
Comprometer a nada, comprimir a consciência
Enforcar a própria vida pra não enlaçar minha garganta
É súbita a vontade de abrir estas janelas
Mas ainda não sei bem se é pelo ar ou pra pular
Ainda não é fácil de localizar
Onde é que está de fato toda a fonte do desejo
E se isso me motiva, a motivação é válida?
Se eu assumo o desespero e a respiração errada
Muita luz causa cegueira e eu já nem enxergo bem
Já me basta a dor no peito, resguardo minha cabeça

São dias complicados, mas qual dia não é?
Cansei de acreditar no clichê de passar fases
A propaganda não diz nada, mas as pessoas são felizes
E o mundo real grita tanta infelicidade

Devo acender a luz e cumprimentar os monstros
Deitar ao chão as peles de humano e comedido
Aceitar que meu lugar é embaixo do colchão
Sou eu quem ocupo os meus próprios pesadelos


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Sigiloso

Já que aos meu olhos já não passas, que passe aos teus
Não há muito pra ser dito sobre a nossa convivência
Acabou tudo o que havia, mas me resta a consciência
De que você sempre esteve em todo pensamento meu

Não desejo nada agora, nem pra mim, nem pra você
Entendo não fazer sentido algo que parta de mim
E acho até melhor que permaneça então assim
Já perdi coisa demais que não deveria perder

Hoje é um dia complicado, porque é a primeira vez
Que a doce consciência de não mais participar
Da vida que eu sempre desejei compartilhar
Amargou e todo o plano que havia se desfez

De qualquer outra maneira, eu garanto: estou tranquilo
Não peço aos céus nada além de mais ocupação
E que as coisas se resolvam em mais esta situação
Qualquer outra realidade se esvai neste sigilo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Justificativas

Poucas coisas dizem tanto quanto a dor da perda
Janelas tristes de minha alma que já não se ocupam mais
Tanto falo e nada digo sobre a minha completude
E nessa próxima maré o que sou deve mudar

Os dias se encaminham pra outro dia qualquer
Mas outro dia que passou eu me peguei pensando e só
E sozinho como estou os dias passam devagar
E já não para saber que dia é esse que passou

Varandas ocupadas não traduzem minha vida
E a eterna companhia desses bares da cidade
Nada mais diz sobre mim além do que não está aqui
Eu acho que a tristeza de hoje não se justifica
Mas guardo para mim qualquer outra confissão
Eu já perdi demais pra me arriscar mais uma vez