Eterno arquivo do que já não interessa
Vazio Infinito

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pureza

À portadora de meu coração devo dizer
Tenho pra ti todas as palavras inventadas
Mas nenhuma das palavras já usadas
Expressa certo o quanto eu posso te querer


À senhorita que me enche os olhos d'água
Preste atenção no quanto eu tenho me doado
E o quanto quero que estejas ao meu lado
Ver seu amor tirar de mim todas as mágoas


E ter a consciência desse toque leve
Sentir no corpo o que sinto no coração
Que importa a vida? Quero a palpitação
De ver-te entrar em minha vida como deve


Não tenho teorias sobre o acaso
Mas caso me queira por perto
Mantenha seus braços abertos
Prometo, amor, sem mais atrasos

terça-feira, 25 de abril de 2017

Chão

Toma conta de mim
Se meus olhos parecem cansados
E minhas mãos evitarem outro toque
Quando tudo ficar mais difícil
As lembranças que assombram o sono
E as noites passadas em claro
Só toma conta de mim
Porque é disso que eu preciso
Vai ser confuso e arrastado
E parece que a paz não existe
Mas quando tudo em volta despenca
O que eu busco é um pedaço de chão
Então, veja bem, coração
Toma conta de mim
Assim como eu cuido de ti
Em toda e qualquer decisão

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Equilíbrio

Quanto tempo leva pro nosso tempo chegar?
Já não dá pra demorar, já chega de atrasos
Não foi fácil até aqui, mas vivi felicidades
Eu aceito a calmaria depois dessa tempestade
E o que é que vou achar do outro lado disso tudo?
Um mundo inteiro de você, só pra encaixar no meu
Estar contigo só um pouco é muito pouco para mim
Fica de olho, por favor, mas fica de olho só em mim
Tem muita coisa que eu não digo, guardo pra realidade
Só a escrita não diz tanto quanto o meu corpo dirá
Tens agora minhas chaves, abra então minhas janelas
Olha fundo em minha alma pra encontrar coisas mais belas
Porque a casca é só escudo e pra você só tenho amor
Pra nós dois sempre terei uma outra solução
Se parece ser difícil, eu posso te dizer que é
Mas pra viver nosso equilíbrio, aguento tudo que vier

quinta-feira, 20 de abril de 2017

20 de Abril

Em todos esses dias eu vivi aqui, alimentei muita coisa boa e fui tão feliz que agora até parece que foi muito mais tempo. Mal feito feito e agora é aqui que busco abrigo pra aceitar que o erro é meu, e por muito pouco eu perdi o que mais gostava.


É estranha a sensação, pois não faz muito sentido. Como nada fazia. Mas dessa vez o gosto é ruim, antes era maravilhoso. Não consigo nem dizer ao certo o que é que eu pretendia, mas tiro uma lição desse tropeço, mais vale a incerteza e o medo do que a certeza e a solidão.


Nem deu tempo de doer ainda, escrevo rapidamente porque quero guardar uma lembrança boa. Um mês inteiro sobre ela, uma história curta, mas intensa. Ela tem lugar guardado aqui, mas não vai ser como lamento.


É muito típico do autor a vaidade com sua obra, eu não sou tão diferente. Mas ela sabe o quanto desse mês pertence a ela, cada frase que não foi escrita em vão e as conversas intermináveis que rendiam a inspiração. Fica a devoção ao carinho que só pode ser expressado por aqui.


Confesso estar meio perdido, eu acho que não esperava um fim tão prematuro. Eu ainda tô me acostumando com a ideia de que eu estraguei tudo. Sinto como se tivesse perdido algo muito valioso, um amigo de vários anos, esse diário e confidente, porque eu me abri tanto que nem sei bem se algo ficou. Evidenciei o mal que sou, que sempre fui e sigo sendo e tive compreensão. Engraçado pensar nisso e lembrar do que eu fiz.


Mas vai em frente a vida, fica mais essa dorzinha, pra arder de vez em quando e me lembrar que ainda estou vivo. Definitivamente ela vai ficar aqui mais tempo, porque ainda tenho o que dizer... Ainda tenho o que sentir.


Tá tudo bem, ficar triste é necessário. Perceber tardiamente que o descaso é o que eu repito, muito mais do que repito as rimas que eu te escrevia.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Sobre Nós #1

Condensando essa maré das emoções que me causastes
Coloco aqui mais um pedaço de minha felicidade
Você merece todo alento que é possível transmitir
Merece amor que eu nem me atreveria a sentir
Sente meu toque essa manhã, velo de longe o pouco sono
Se alegra quando perceber que tudo isso é muito seu
De ti só quero a maravilha de outro dia que começa
Ter outra noite conturbada por aquilo que eu calo
Amansa a minha fúria, me acalma com sua voz
Porque a nós o universo reservou felicidade
Não a tímida alegria que extravasa de meu textos
A plenitude de saber que existe amor depois de tudo
Eu te adoro, é muito fácil adorar o que tu és
Desejo agora me deitar e ter por fim sua companhia
Já que outro dia se encerra e não estamos lado a lado
Que eu possa te fazer sorrir com mais esta poesia

Leveza

Leveza nos meus passos, carinho nos meus versos
Nada vale o mesmo tanto
Me alegrar reconhecendo o poder do novo encanto
E aceitar cada momento sabendo que isso é certo






Não se surpreenda se eu não fizer sentido
É que o que tenho sentido não se expressa nessa nota
É que só quem me vê rindo realmente nota
O quanto esses dias tem valido






Eu não quero escrever mais, quero estar por perto
Me alegrar com o que for bom, precisando a gente briga
Nem mesmo creio que você consiga
Tornar meu canto incerto






É certeza que te quero, com todo apreço e cuidado
Faço o que for preciso, tudo o que te agradar
Se você soubesse o quanto veio pra ficar
Teria enfim a consciência de quanto tem me alegrado

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O Pouco Que Sobrou

Quantas coisas eu vou estragar pra finalmente entender?
Não é o mundo que está fora do lugar
Preciso me responsabilizar
Por cada um dos desacertos


Não basta ser melhor pra conseguir se envolver
Se só um erro te desarma
E tudo soa como kharma
No fim só restarão os textos


Ninguém consegue dar a mão pra quem ficou pra trás
O natural é apertar o passo
Se assegurar do seu espaço
Contar sorrindo o que restou


Não basta achar que és capaz
Seu coração já não te aceita
E até seu corpo te rejeita
E nem você se importou

sábado, 15 de abril de 2017

Abril Despedaçado

São quinze dias de um abril despedaçado
E eu já me pergunto quando chega a intervenção
Lembro do que me disse, também lembro a sensação
Revivo diariamente as derrotas do passado

É difícil ser alguém nesta nova madrugada
Mudam os dias, passam as horas, mas ainda estou aqui
Recalculando rotas, procurando onde eu perdi
A vontade de ir frente, atravessar a derrocada

Eu nem sei porque é que sofro, sei que sofro e isso basta
Sei que guardo muita dor em cada um de meus processos
Sei que enfrento a tempestade e não espero ter sucesso
E no final sigo na praia com meu corpo que se arrasta

Eu queria ter certeza de que algo vale a pena
Ou então um jeito fácil de acabar com o gosto amargo
Trazer resposta a tudo que hoje soa assim tão vago
Ou até um jeito fácil pra então sair de cena

sexta-feira, 14 de abril de 2017

XV

Memórias de anteontem, dias que ainda virão
E a feitiçaria reside no amor dos versos de agora
Eu jamais poderia deixar que esse momento fosse embora
E que você se deitasse esta noite sem mais esta declaração

Eu queria mostrar pra você as coisas que são abstratas
O arrepio que dá na minha pele quando penso em sua reação
Ao ler outra coisa qualquer que venha do meu coração
Mesmo que diga tão pouco em toda poesia barata

É que as coisas não fazem sentido, porque fazem sentido demais
Quando tudo dá certo no início é porque deve ser ilusão
Só que não importa o bom senso, apenas a noite em solidão
Desejando você ao meu lado, vendo em meu rosto os sinais

Dorme, mas sonha comigo
E que se torne então realidade
Pois o que eu quero, na verdade
É dormir aí contigo

Sobre Ela #5

Coleciono as frases que ela diz tão displicente
Ela não faz ideia do quanto significam
Não devia enclausurar tanta coisa por aqui
Certas coisas são melhores ditas ao pé do ouvido
Mas é que tão pouca coisa importa quando ela vem
Mesmo quando a tempestade dessa vida recomeça
Eu não sei dizer o quanto tenho ignorado
Mas eu sei muito bem que isso se chama felicidade
Inconsequentemente eu me repito na poesia
E vivo o dia a dia como um bom apaixonado
Sei lá se é duradouro, não me importa, de verdade
As coisas que eu escrevo não precisam ter final
Gasto essas palavras, mas não gasto nosso tempo
Ela diz gostar destas bobagens que escrevo
Se é para agradá-la, eu escrevo todo dia
Sobre ela, para ela e tudo o que temos vivido

Soneto Sem Resposta

É estranho pensar em como as coisas acontecem
Um dia é tudo fácil e no outro um desafio
Um dia vem alguém e preenche o meu vazio
E as coisas que eram frias de repente se aquecem

Não tem que ter porquê, é até melhor assim
Seguir sem entender onde começa a imensidão
Nem sequer buscar qualquer indício de razão
Apenas se entregar, essa é a resposta para mim

Redigir dez mil sonetos em menos de um mês
Aceitar que tudo isso existe a muito pouco tempo
E ainda assim viver a insensatez com alegria
E achar tanta graça do que o destino fez
Contemplar o que acontece em cada um desses momentos
Me diz, meu caro amigo, no meu lugar o que faria?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Scribere

O preço que se paga é sempre menos
Do que o quanto a gente tem pra receber
E eu não tenho dúvidas, meus caros
De que é exatamente assim que tem que ser

Tomando certos passos novamente
Explico a quem sabe o que é se envolver
É complicado este momento, é idiota
Como todo apaixonado deve ser

Há quanto tempo já não me ouvias tanto
Eu nem lembrava como era este sabor
De falar tanto e nunca ser suficiente
E querer sempre um pouco mais deste torpor

Escrevo a ela porque ela vai me ler
Escrevo muito porque tenho o que dizer
E assim escrevo tudo o que eu quero falar
E ainda estamos muito longe pra fazer

Mística

Tudo intensifica, no imaginário estás aqui
É que já sou tão pequeno, já não posso mais conter
Mais vontade na poesia, eu só queria te ver
Tudo que eu preciso é estar aí perto de ti

Não é fácil essa distância quando a madrugada vem
Aprofunda a relação, aprofunda minha vontade
Não seria justo te chamar de novidade
Algo assim tão novo não devia fazer tão bem

E a entrega é certa, eu já nem ligo para nada
Eu aceito e assino embaixo, assumo essa loucura
Mas será que é possível a gente se encontrar?
As runas e o tarot não são respostas para nada
E todo o misticismo não explica essa loucura
Todo o universo fez a gente se encontrar

Sobre Ela #4

Tudo aqui é muito pouco, quase nada
Eu nunca poderia retratá-la fielmente
Eu sei que o faço porque é o que me resta
Imaginar sua presença em minha vida
Não há muito que ainda resta pra rimar
Certamente falta tempo para nós
Eu não devia gastar tantas palavras
Quando faltarem ela vai se entediar
Mas é que as coisas são tão boas no momento
Intensamente reescrevendo a insensatez
Ela trouxe muito mais que companhia
Se acaba o assunto ainda resta o teu silêncio
Desejo tudo o que eu posso desejar
Pois sei tão bem o quanto isto vale a pena
O que eu escrevo sobre ela é só poesia
A maravilha disso tudo é a realidade

Retorno

Quem poderia imaginar esse final?
Que o destino apostaria neste enlace
Essa união que agora é tão natural
E que eu só posso desejar que nunca passe

Desfeita a dor das consequências do passado
Eu te autorizo a ser pra mim o que quiser
Se é teu desejo me coloco ao teu lado
Se é pra ser aceito tudo o que vier

Eu me arrisco a dividir minha amargura
Pois já mereces o que eu tenho de melhor
Me arriscar mais uma vez nesta aventura
Me diz a hora, que o resto eu sei de cor

E vai doer alguma hora, eu sei que vai
Sei bem do risco, posso sim me envenenar
Desfeita a bruma toda dúvida se esvai
E agora sei que ao teu lado é o meu lugar

domingo, 9 de abril de 2017

Sobre Ela #3

Todas essas linhas nos trouxeram até aqui
Olha bem pra mim e vê se é isso que desejas
Certamente estas palavras dizem muito para ti
Mas espero que meu olhos te digam muito mais
Ela chega e desfaz a cor de todo o resto
Nasce mais um sol, e dessa vez peço que dure
Muito mais que um dia, muitas outras madrugadas
Ela vai sempre habitar essas e outras rimas
O espetáculo da primeira semana interrompeu-se
E todo o público suspira, que volte o segundo ato
Eu bem que poderia repetir todas as noites
Mas agora estás aqui e eu não quero nada mais
Toda linha que imagino me leva até você
E se for sua vontade, assim permanecerá
Desfaz nossa distância, incinera minha pele
Aceita a minha entrega, porque é de corpo e alma

Brumas

Que se desfaça a bruma e o futuro venha enfim
Pois é chegada a hora de enterrar qualquer passado
A vida segue por caminhos que a gente desconhece
E o medo é natural nesses momentos de mudança
É difícil, eu sei que é, mas tudo se acerta
E a decisão incerta se torna absoluta
E é com a mente resoluta que a gente vai seguindo
Hora ou outra a gente causa mal a outro alguém
É isso, meu amigo, é necessário se agarrar
Às chances de felicidade que a vida apresenta
A gente tem razões que até a gente desconhece
E o instinto prega peças que podem fazer bem
Se vou sofrer eventualmente, bem, aceito a condição
Me assusto com a forma como as coisas acontecem
Me assusto com a forma que as coisas me aquecem
Mas dessa vez não vou fazer desta poesia rendição

sábado, 8 de abril de 2017

Sobre Ela #2

Desafio qualquer um a ter um romance saudável
Nutrir as coisas boas e resolver as diferenças
E saber que as diferenças são a manutenção do elo
E ter o sono em dia e o peito sempre estável
Se eu disser que isso é ruim estaria me enganando
Eu aceito muita coisa pra seguir meu coração
Se é certo ou é errado só o tempo vai dizer
Mas o tempo só tem dito: vá em frente, meu amigo
Vem, me tira a sanidade, rouba outra vez meu sono
Tudo bem, eu me alegro com essas noites ao teu lado
Só que quando eu padecer de uma doença, com cuidado
Saiba que eu repetiria várias vezes o processo
Sei lá se isso é normal, não sei nada no momento
O encanto mais potente é o que não faz sentido
E se essa loucura permanece com a gente
É porque esssa loucura se chama felicidade

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sobre Ela #1

Iniciei enfim o procedimento de te guardar aqui
Pra aquecer esse arquivo que andava apagado
Dar vida as linhas pra conservar meus verbos
Cuidar, querer, amar, gostar sempre um pouco mais
Não me importa muito se a tensão intensifica
Quando você disse "fica" eu vi que tinha que ficar
Não dá pra saber muito, mas eu sei o meu lugar
E agora parece que o magnetismo está em ti
Cuida bem de mim? Só pra ver se cria o hábito
E eu escrevo toda a nossa vida se for pra ser assim
Se for pra ser assim eu até aprendo a te escrever
E as letras vão ter cores muito mais interessantes
É pra ti que eu escrevo, toma a guarda desses versos
Faça tudo o que quiser, use de decoração
Já não me cabe nesse quadro meio morto em solidão
Daqui pra frente devo escrever em sua pele


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quarta Tentativa

Você sabe o que isso significa, não sabe?
Agora a gente está em paz pra não ter paz
E ser tudo o que a gente é capaz
Até que a gente se acabe (ou não)

Não é bem pra ter sossego que a gente se esbarrou
Mas não é na quarta chance que eu acerto a descrição
Sobre o que a gente faz, sem bom senso e sem razão
Das piadas e poemas alguma coisa se formou

Poderia ser soneto, mas hoje o dia é diferente
Acabaram os segredos, resta a nossa cumplicidade
E nem vai ser a distância que separa sua cidade
Que vai prejudicar o que vier daqui pra frente

Então, menina chata, vê se aguenta minha chatice
Porque em sete dias você tirou o melhor de mim
E mesmo que difícil não tem como ser ruim
Porque ainda prevalece tudo aquilo que eu disse

Definitivamente Para Você

Tenho muita coisa pra dizer pra alguém. Não serve se for despejado aqui, pra ser processado e mutilado. Não serve se for pra morrer em mais um verso ou se for pra morrer comigo. Preciso que alguém me olhe nos olhos e entenda de uma vez por toda a verdade dos últimos dias. Eu pago a cerveja.

Preciso que alguém me carregue junto pra outro tipo de amanhã, porque já está muito difícil repetir o dia de hoje. A programação dessa TV vai se repetindo para sempre ou será que eu nunca vivi outro momento que não fosse a última meia hora? Deve ser a décima vez que eu acho graça dessa piada, já está soando como um baixo desespero.

Outro dia a casa estava cheia e eu estava vazio, mas a média bastou pra garantir a diversão. Aí veio outro dia que a casa estava vazia, mas a piscina estava limpa e os meus pensamentos também, até o céu parecia mais baixo e a viagem foi muito mais curta. Então vai chegar um dia que tudo vai ser só vazio, porque eu nunca suportaria estar completamente cheio.

Dia após dia eu venho vivendo essa história, praticamente sem fundamento, porque tem muita inércia em mim. É muito sentimento pra ter mais sentimento agora, por que é que eu me deixo apaixonar? Eu podia apreciar a companhia sem o ensejo de nutrir qualquer desejo, mas gente fascinante é avassaladora pro meu coração, e sendo assim é melhor enfeitar este jardim, porque eu nem tenho me cuidado tanto.

É isso mesmo auditório, nessa madrugada imensa eu estou aqui fazendo cálculos pra ver se justifica dizer que estou encantado por alguém. Eu não tenho coragem e nem idade pra gritar paixões, tem consequências demais na minha mão. Definitivamente eu fui tomado de repente por alguma coisa forte demais, por alguém forte demais. Eu nunca resistiria.

Aí eu relembro tudo o que eu já vivi, dava até pra escrever um livro. Será que vale a pena abrir a quinta-feira de braços abertos? Porque eu não quero riscar outro nome desse caderno e dizer que as baladas foram escritas pra mulher nenhuma. Eu alimento essa vontade, como alimentei várias outras. Eu a quero, como já quis várias outras. Mas dessa vez é forte demais pra só ignorar, eu reconheço não me reconhecer, mas entendo bem do quanto eu sou capaz de amar.

E eu vou me perguntar mais uma vez sobre minha a história, romantizando cada desromance desse passado meio vasto e meio vago, que eu nem sei se me treinou ou me abandonou aqui, onde as coisas são muito mais difíceis, porque os sentimentos foram embora, mais ficaram os calos. Os meus dedos agora estão mais grossos, não dá pra deixar escorrer mais um pouco da minha dedicação por alguém que só devolverá sorrisos, eu preciso de mais apreço por mim mesmo. Preciso de cuidado.

Quando foi que a minha vida se tornou essa maré de sentimentos e tensão?
Alguém há um tempo disse que amor tinha que ser uma coisa boa.
Essa pessoa tinha razão

E quem é que é a dona da poesia?
Que carrega em si o peso de ser inspiração
E sufoca para si toda reclamação
Pra esperar mais versos outro dia

E quem é que é a dona destes sonetos?
E me traz de volta mais cedo pra casa
Já é a sua vez ou é a minha mesmo?
Já é a hora disso ou você ainda atrasa?

Não dá pra usar o mesmo molde pra modelar a gente
Não dá pra vacilar e apertar os passos
Não dá pra me enlaçar e estreitar os laços
Não, dessa vez tudo é pra ser diferente

Eu arrisco, como não arriscaria?
Eu jamais a riscaria tão prematuramente
Se é ela que preenche todo o tempo a minha mente
É só olhar pra mim e ver que eu arriscaria

Mas não dá pra ser assim, preciso de contexto
Eu não sou de me entregar assim tão facilmente
Sendo o fingidor que finge que deveras sente
A dor e o desamor que descreve em qualquer texto

A quem eu vou enganar? Se ela me chama eu devo ir
Já estou me machucando pela antecipação do atrito
Então talvez aceite o impossível e assim limito
Registrar neste caderno tudo o que eu puder sentir

Mas ela já me tem, não dá mais pra negar
Eu deveria estar agora com o pensamento leve
E estou pensando agora que quero que ela me leve
E faça com que todo sentimento possa rimar

São muitas palavras sobre coisas parecidas
E o quão parecidas essas coisas realmente são?
Se eu pareço me repetir talvez eu esteja repetindo a entrega

Mas nunca a mesma sensação.

Parece que eu vivo pra amar outras pessoas, talvez seja um bom motivo pra viver, afinal. Tem muita coisa que me destrói por dentro, mas essa é a única que renova sempre.

Atualizo aqui o meu escrito, pra assinar seu nome.
Que vergonha de escrever essas coisas pra você
Então não se assuste se eu desaparecer
Mas pode ter certeza que isso aqui não some.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Cúmplice

Veja bem, senhorita, que desacerto esse destino
Tudo isso é proibido e deveria acontecer
Nada disso faz sentido, mas eu posso te entender
E entendo muito bem a razão desse fascínio

Em você existe algo que justifica o absurdo
Me paralizar em frente a este computador
Ou te levar comigo seja lá pra onde eu for
E garantir que você dê sua palavra sobre tudo

Mais um dia, mais poesia, mais um crime a cometer
E tanta gente vai achar que tudo isso é muito errado
Talvez estejam certos, mas o que é que eu vou fazer?
Não dá para mudar o caminho já tomado
E se isso te anima, eu juro sempre te escrever
E se isso te agrada, eu juro estar sempre ao teu lado

Atraso

Então a gente vai brigar e tudo vai se resolver
E aí as coisas vão ser simples e tudo fica leve
Porque no final das contas todo tempo é muito breve
E tudo o que assusta é o que não dá para entender

Tem muita coisa estranha realmente acontecendo?
Porque não me parece ser normal esse delírio
Polir minhas palavras muito pouco e assim ter brilho
Pra nem mesmo saber no que é que estou me envolvendo

Você vai contar as sílabas, porque é pra ser assim
Não dá pra ser tão fácil e nem deve ser difícil
Certas feitiçarias acontecem por acaso
E o tempo que é curto já parece não ter fim
Não era pra ser fácil e de repente já é possível
Então te escrevo agora, mas já soa como atraso