Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Passagem

Não me acorde se eu fechar meus olhos
Não me chame para nada
Deixa eu ser somente a sombra da história já passada
Deixa que eu me acomode e feche a porta por detrás
Que eu já cansei de todo a gente que passeia por aqui
Hoje ainda não dormi...
Quando é que foi diferente?
Deixa as ilusões lá fora, toda a vida vai seguir
E se pra mim chegou a hora
Acerte o que eu não consegui


Nada disso é especial, são só voltas desse mundo
Quem digere o absurdo não entende minha passagem
Eu mesmo não entendo pra onde vai essa viagem
Certamente não me resta força para descobrir


Não me acorde se eu fechar os olhos
Eu fiz tudo o que podia
Me permita o último escape dessa imensidão vazia
Deixa que eu me acomode e por favor feche as cortinas
Que eu me cansei de ver o espectro entristecido dessa rua
Deixa a dor que não se cura
Quando é que foi diferente?
Existem certas sutilezas que a gente escolhe ignorar
Acabaram-se as certezas
Tudo mais deve acabar

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Psicose

Os fragmentos de minha vida seguem se distanciando
E a cada noite atravessada um sonho morre sem alarde
Um tanto eu venho silenciando, guardo aqui a outra parte
Certamente estou ciente, mas continuo aceitando

Talvez eu pense demais, mas do que vale isso agora?
Já não consigo me agarrar a qualquer felicidade
E sigo me afastando mais do que parece a realidade
Não consigo distinguir o caminho pra melhora

É leviana a minha rotina, não me presto a nada mais
Sigo o que parece ser o meu caminho natural
Aprofundo a dor a noite e faço o drama matinal
Dissimulo meu esforço, sei que já não sou capaz

Me disseram por aí que isso se chama psicose
E que eu já não vejo o céu nesse poço tão profundo
Realmente me faltou a simpatia pelo mundo
Eu queria achar a cura, mas exagerei na dose

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Soneto Sobre As Perdas

Nessa vida a gente perde tanta coisa
Mas nunca perde a sensação de faltar algo
E algum dia isso nos toma de assalto
E a gente nota já não ter o que perder

Nessa vida a gente perde tanta gente
A gente força os limites da ausência
E vai exercitando tanto a paciência
Ao reparar que a vida fica diferente

A gente perde as coisas por escolha
Chega uma hora que não dá pra continuar
E a vida segue como sempre tem seguido
Eu sei que isso não é mais questão de escolha
Mas se fosse eu gostaria de mudar
Só pra não ter te perdido