Eterno arquivo do que já não interessa
Vazio Infinito

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eu Te Amo

"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir"



Chico Buarque e Tom Jobim

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Síndrome da Fênix

A dúvida dói...
Não saber pra onde correr,
Não ter onde se esconder.
Eu já voltei de viagem tantas vezes,
Que já perdi as contas
Dos lugares em que deixei parte de mim

É difícil viver.
Ninguém me disse que seria assim,
O começo das coisas que tem fim.
Eu já me machuquei tantas vezes,
Que já perdi as contas
Das cicatrizes que trago em meus braços

E você e eu,
E nossa falta de conjunto
E essa descrença no mundo
Eu já me perdi em ti tantas vezes
Que já até perdi as contas
De quantas 'você' já conheci

E por fim essa amargura
Fruto das dores do passado
E do que nunca será apagado
Eu já renasci tantas vezes
Que já perdi as contas
Das vidas que vivi...
Das mortes que carrego nas costas.

O Me! O Life!


"Oh me! Oh life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill’d with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew’d,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?

                                       Answer.
That you are here—that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse."

Walt Whitman

sexta-feira, 11 de maio de 2012

À Flor da Pele

Insatisfeita convivência
Fiz de madrugada a tarde
E por tardia consciência
Fui insone e fui covarde

Invariável experiência
Aprender a não fazer alarde
Reconstruindo minha decência
À flor da pele que ainda arde

O que eu fui em tantos anos?
Do que eu fiz restou valor?
Eu vivi somando enganos
Esperando o erro sucessor

Depois de velho, um desengano
Eu quis o encanto e tive dor
E só depois revi meu plano
Pra ver que só queria amor

terça-feira, 8 de maio de 2012

Do Alto (Só um Café)


Eu já posso ver o sol daqui do alto
E agora não parece a hora certa pra fugir... ou desistir
Não se apresse... só comece
Tenho tempo pra te ouvir... te seguir

Não há histórias de tempos de glórias
Pra se discutir
Chega de festas e falsas promessas
Eu cansei de sentir... e mentir

E se de repente eu te encontrar
No meio das ruas de outro lugar
Será?
E no meio da noite eu vou acordar
Escutando a tua voz chamar
Vem cá...

Eu já posso ver o céu daqui do alto
E salto na hora que chegar pra ficar
Nada aquece, eu já fiz prece
Pra te achar... te guardar

E se de repente você me achar
Perdido nas rua, na porta de um bar
Será?
E no meio da noite eu vou de acordar
Com um violão na janela a cantar
Vem cá
Que eu posso te dar o que você quiser
Te tomo e te faço a minha mulher
Se vier
Que eu divido minha casa, dou o coração
Eu já te procuro a tanta estação
Pro que der
E vier
Ou só um café