Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Of What Was Everything

"Quando acordei esta manhã no quarto úmido e escuro, ouvindo o tamborilar da chuva por todos os lados, tive a impressão de que havia sarado. Estava curada das palpitações no coração que me atormentaram nos últimos dois dias, praticamente impedindo que eu lesse, pensasse ou mesmo levasse a mão ao peito. Um pássaro alucinado se debatia lá dentro, preso na gaiola de osso, disposto a rompê-lo e sair, sacudindo meu corpo inteiro a cada tentativa. Senti vontade de golpear meu coração, arrancá-lo para deter aquela pulsação ridícula que parecia querer saltar do meu coração e sair pelo mundo, seguindo seu próprio rumo. Deitada, com a mão entre os seios, alegrei-me por acordar e sentir a batida tranquila, ritmada e quase imperceptível de meu coração em repouso. Levantei-me, esperando a cada momento ser novamente atormentada, mas isso não ocorreu. Desde que acordei estou em paz."

Sylvia Plath

sábado, 30 de novembro de 2013

...

Eu te prometi um presente e dele, faço uma despedida.
Todo sentimento que eu guardei e nutri, agora jaz aqui
Tudo o que construímos juntos foi embora
Não há sentido nesse fim, apenas um fim

E eu me escondo em outras dores, teimo em não ter outros amores
Pois a sua marca ainda está ardendo.
Nem que eu me corte todo novamente, prefiro a dor ao peito ardente
De um delírio que só vem crescendo

Pois então
Uma brasa leva a outra
Uma noite leva a outra
Uma taça leva a outra
Mas as memórias são as mesmas

E eu me condeno a não ter outra
Pois minha vida se fez pouca
Depois de tudo o que você levou

E aqui eu deixo tudo pra que as palavras lavem tudo
Tudo o que você matou
Pois sei que dentro já estou morto
E foi você quem me matou

Nosso passado sempre se repete, meu amor
Só o que eu não posso repetir
É essa dor que você sempre me fez sentir

sábado, 16 de novembro de 2013

Memorial In Aqua Scribere

Passados esquecidos, lembranças maltratadas, sentimentos perdidos e paginas viradas
Tempos que não voltam e de poucas alegrias, que abram-se as janelas pra chance desse dia
Eu leio meus lamentos desses anos que passaram e claro que entendo que os últimos melhoraram
Aqui tudo é tão eu e eu escrevo pra assim ser, se o senhor me leu logo é parte desse ser

Nada eu terminei e tudo eu deixo aqui, se em textos me encontrei, sem eles me perdi
Nada eu terminei e talvez nunca termine, não sei se esquecerei, mas tenho o que me ensine
Essa é a minha parte viva que faz parte desse mundo, o resto a vida priva no que há de mais profundo
E eu me misturei em cada um de meus recortes, me recortei e segui atrás de rumos e nortes

E agora tudo isso fica aqui tão esquecido, pois esse autor omisso finalmente tem vivido
Mas nada perde a essência, nem o seu valor. Mudou-se a consciência, mas nunca o amor
As minhas verdades são parte dessas frases... Até sinto saudades de algumas dessas fases
Mas o tempo mudou muito e o autor também, do passado fica o vulto pro futuro ir além

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os Ombros Suportam o Mundo

"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação"

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Confissão

Insensato cavalheiro,
Confessa a bela dama tua fraqueza. Confessa-lhe que suas promessas tinham objetivos nobres, mas desejos banais. Confessa-lhe que és tão fútil e limitado como as suas próprias promessas. Confessa-lhe
que nunca será diferente, apenas haverão outras banalidades. Confessa-lhe


Tosse essa verdade imunda que machuca essa garganta. Confessa-lhe que os olhos vermelhos e as olheiras profundas no espelho embaçado são a maior expressão de sua natureza. E grita. Grita às ilusões lá fora para que vão embora. Só assim estará livre para construir outra morte perfeita.

Escorra para o ralo toda a mentira de sua genialidade intrínseca e mostra sua verdadeira pele, sua pele de animal, irracional e instintivo. Lamente o fim dessa tragédia e escolha outra dor pra fingir ser alegria. Mas nunca mais entregue a mente ao que apenas agrada os sentidos.

Agora aceita o compromisso de cuidar de si mesmo.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Tão Diferente

As diferenças não são feitas pra serem somadas. É isso que todo mundo sempre quis dizer com mil e uma frases feitas sem sentido e sem pudor. As diferenças foram feitas pra diferenciar e a gente nunca sabe passar por cima das coisas que nos diferenciam, não é mesmo? Cadê aquele guia de prioridades? Nunca me entregaram um na escola. E enquanto as nossas diferenças nos separavam, eu ia ficando cada vez mais diferente dos demais... pior do que os demais.

Mais uma vez, você acabou comigo, sabia? Eu te empurrando pra dentro e você delicadamente me guiando pra fora. Agora eu to aqui, do lado de fora da sua vida, nunca mais vou saber dos seus erros e acertos, nunca mais vou saber das coisas pequenas que te fizeram feliz e das tragédias que acabaram com seu dia. Convenhamos, meu amor, pra qualquer pessoa que, por ventura (falta de sorte), caísse aqui dentro da minha mente, isso seria uma coisa muito boa, mas eu nunca fui muito inteligente, não é mesmo? Toda essa tristeza e desilusão dos outros sempre significou mais uma chance pra mim. Infelizmente as diferenças fizeram diferença dessa vez.

Não dá pra continuar, infelizmente pra mim, felizmente pra você. Agora você esquece tudo o que aconteceu e corre atrás dos sonhos que nunca tiveram espaço pra mim e eu procura alguém pra ocupar o seu espaço nos meus sonhos. Talvez essa seja a grande diferença entre nós. Irônico

Mas há de surgir um dia, em que você entenda que o que eu queria era só te ter do meu lado, independente das dificuldades, somar as diferenças e subtrair as distâncias pra que a gente pudesse ter muito mais vida juntos. Mas que seja... Talvez essa diferença que nos separou, construa alguma diferença notável no jeito que eu me expresso assim, tão melancólico, tão deprimente, tão diferente

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Feitos e Vaidades

Eu escrevo pequenos feitos
Pois poemas são vaidades
Eu descrevo os meus defeitos
Pra procurar as qualidades

Defeitos e Qualidades

Todos conhecem meus defeitos
E eu não sei minhas qualidades
É difícil separar meus "grandes" feitos
Das minhas infindáveis vaidades

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Respira Fundo e Conta Até Dez

É, rapaz, o tempo já passou e quem perdeu a hora foi você. Toda a sua perfeita e intocável segurança das escolhas certas desabou em tão poucos segundos. Quem é que você tinha na mão? E agora, na mão de quem você está? Ridícula, incerta, inconstante vida pobre de razões. Era por isso que você se guardava tanto? Era por tão pouco que você desperdiçou tantos sorrisos? E os sorrisos que foram privados devido a sua cara fechada, são agora distribuídos sem dó pra tantos outros pela rua. Lamentável

Agora senta, pega o violão e relembra a velha serenata. Relembra aquela música que embalava uma ponta de felicidade pelas madrugadas. Relembra que você é muito pouco sozinho e que quem te completa pode já ter ido embora. Vai e toca aquela música que por descuido hoje jaz no fundo das suas inúmeras gavetas. Quantas gavetas... Espalhadas dentro delas as coisas que você fez questão de esquecer, mas que agora despontam em sua memória causando essa dor no ego. Ridícula vida pobre de chances.

Você desperdiçou as suas chances (e alegrias). Poderia ter sido mais, muito além desses dedos cheios de calos e desses pesos infindáveis nas costas. Resgata esse fantasma que era sua razão de viver e derrama ele no papel, mais uma vez.

Quem sabe assim você durma melhor

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O Caco da Solidão (repostagem)


O Caco da Solidão

Ao silêncio dos barulhos que eu não escuto e ecoam no meu quarto

A solidão desses dias é forte
É fria
É mórbida
É bela e cinza


A Solidão da Alma



O silêncio só não era maior que o vazio
A beleza da solidão
Pra cada beijo morto e abraço frio
Tudo morria em papel, inspiração



Dentro dele já não havia calor
A solidão fechou as portas
E ninguém mais quis bater
A sombra da solidão espantava


A solidão desses dias é dolorosa... Me destrói aos poucos.

Mas devo encarar como a vida que escolhi. O tempo de solidão é necessário,
A solidão é necessária,
O frio, a claustrofobia
O vazio, a nostalgia.
Tudo se fazia preciso e presente
Tudo são passos dados pra frente...


A solidão da minha alma é certa
Sofro pela escolha que tomei
A solidão da minha alma é bela
Sofro pelo caminho que trilhei
A solidão da minha alma é justa
Sofro por tudo o que lutei
A solidão da minha alma é pura
Minhas escolha definirão o que serei

Esqueça as provas e limpe meu nome
O resto é silêncio

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Despedida

"A todos
De minha morte não acusem ninguém, por favor, não façam fofocas. O defunto odiava isso.
Mãe, irmãs e companheiros, me desculpem, este não é o melhor método (não recomendo a ninguém), mas não tenho saída.
Lília, ame-me.
Ao governo: minha família são Lília Brik, minha mãe, minhas irmãs e Verônica Vitoldovna Polonskaia.
Caso torne a vida delas suportável, obrigado.
Os poemas inacabados entreguem aos Brik, eles saberão o que fazer.
'Como dizem:
caso encerrado,
O barco do amor
espatifou-se na rotina.
Acertei as contas com a vida
inútil a lista
de dores,
desgraças
e mágoas mútuas.'
Felicidade para quem fica."



Vladimir Maiakovski