Eterno arquivo do que já não interessa
Vazio Infinito

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sangrando Poesia

De onde vem essa necessidade?
Essa doença que me toma a cada dia
Estes braços já não tem mais serventia
Depois de tanta vontade sem verdade

De onde vem essa saudade?
Essa descrença no que há pouco existia
Estes passos já não seguem mais um guia
Perderam-se no meio da realidade

Pra onde foi o meu bom senso?
A razão, motivando a decisão
Sumiu entre uma ou outra explosão
Das guerras que travo e nunca venço

Pra onde foi o que eu penso?
Fundiu-se a alguma tentação
Hoje se baseia em ilusão...
Na busca por algo mais intenso

Hoje covarde, sem chance de mudança
Preso a nostalgia, sangrando poesia
Esse rosto tenso, reflexo do que valia
Essa solidão, hoje sem mais esperança

domingo, 28 de novembro de 2010

Gim

Nossa hora se aproxima, meu amor
É doloroso ver o tempo acabar
E saber, no fundo, que já vai me deixar
Ler nos teus lábios o meu real valor

Mas quem sabe deva eu sempre esperar?
Nesse silêncio que é você, esse torpor
Quem sabe não sentes, se não, a mesma dor?
Talvez ao fim de dias venha me buscar

E o tempo segue lento, segue o vento
Segue qualquer coisa, tão longe de mim
E ao chegar encaro esse tormento
Talvez a luta mude tão terrível fim
Mas se somes e me deixas tal momento
Dou costas para magoas, afogo em gim

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Se Já Não Sentes Nada

Que fim teve aquele amor, tão cedo
Há tão pouco feito e já apagado
Resta agora o peito machucado
Ou já não resta nada, além do medo

E das vontades em que se afundava
Será que sobra enfim algum desejo?
Procuro em tanto sonho e não vejo
Nenhuma essência em que se baseava

Não há algum rastro ou alguma pista
Não ha nenhum traço de esperança
Talvez na chuva tenha se dissolvido

Não há nenhum porto ou terra a vista
Se estás aqui meu olhar não alcança
Nenhum vestígio de coração partido

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fim da Utopia

Vamos aos fatos consumados:
Já não sei nada de mim...

Eu grito tudo de mim aos ventos
É tanto início e tanto fim
Que eu já esqueci todos os meios
E os receios que te levam de mim

Eu já tenho tantos documentos
Que não me dizem quem sou eu
De que essência eu sou feito
Ou se tudo isso se perdeu

Minhas semanas duram meses
E tenho o ano como o dia
Busco em todos os fatores
Alguma antiga alegria

Talvez esse seja o indício
De que a vida já não vale
O esforço pra se manter vivo
Quero que o mundo se cale
Quero que o teu tempo pare
E que o meu te acompanhe
Que o teu olhar repare
Tua mão no ar me apanhe

Quero que o céu caia aos poucos
E que o vento se desfaça

Quero meu coração de volta
E outra vontade falsa

Quero não querer mais nada
E dançar uma outra valsa

Quero respirar
Algum ar mais puro
E me apagar
Me tirar do meu futuro

Se é que existe algum destino
Se é que existe outra poesia
Se é que existe uma tristeza
Que não seja só melancolia

Se é que existe uma resposta
Um paradigma da existência

Se é que existe algum retrato
Que não mais me angustia

Se é que existe no teu rosto
Algum traço de vontade

Se é que existe no meu peito
Algum rastro de vivacidade

Se é que existe uma palavra
Pra descrever a experiência

Se é que dentro de você
Algum desejo persistia

Vivo apenas por viver
Não mais por necessidade

Acabou-se a utopia
Foi junto com a realidade

Despedida

"Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão.
-Por não ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras ? -Tudo. Que desejas ? -Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão."

Cecília Meireles

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Paradigma

De onde veio esse sonho?
Essa sombra, esse desejo
Esse medo sem tamanho
De um futuro que prevejo

Que homem é esse que escreve?
Já nem sabe do que fala.
Essa existência tão breve
E que tão cedo já se cala

Que espécie de poeta sou?
Que não sabe ter um ser amado
E se julga sempre condenado
A escrever do que restou

Em que planeta agora estou?
Vejo em frente tantas luas
Tantas cores, puras, cruas
Toda cor que me inspirou

E agora, pra onde devo ir?
Sequer existe algum caminho?
Haverá um modo de fugir
Ou o certo é enfim ficar sozinho?

Que poeta é este? Silenciado
Nem mesmo vive um dia a dia
E continua aqui sentado
Inventando alguma alegria

Há espaço pra mim no escrevo?
Talvez dentro de tanto coração
Que entreguei sem ter razão
Canceriano, eu me descrevo

"Fiz da emoção meu paradigma
Pra escrever "poesia digna"

Me contentando com sorrisos
Ignorando todos os avisos"

Não me preservo e nem desfaço
Não sou inteiro, pois me entrego
A tristeza segue em meu encalço
Companhia que eu não nego

A cada noite uma lua apaga
E junto dela vão meus versos
Talvez essa seja minha saga
Viver vagando em universos

De poeta... só os meios
Transcrevo a vida que me lembro
E cada um de meus receios
Que hoje são tudo que tenho

Futuro hoje pouco importa
Pois nem eu sei o que eu quero
Nem sei mais se te espero
Ou vou embora e fecho a porta



Minha liberdade é lenda
Minha vontade é resto
Minha vida, escrita, a venda
O que sobrou é o que detesto

O Mundo É Um Moinho

"Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés"

Cartola

Ansiedade e Frustração

Ansiedade, frustração
Ansiedade, frustração
Ansiedade, frustração
Ansiedade, frustração.

Meio ano em pura angústia
Imerso em tanta solidão
Me desmanchando em vários versos
De ansiedade e frustração

Não há paz nem na alegria
Em nenhuma dimensão
Sou em meus vários universos
Ansiedade e frustração

Nem quando tudo enfim se acerta
Nada passa de ilusão
Sente-se e espere a certa
Ansiedade e frustração

Nem no fim estamos livres
Elas nos prendem a algum chão
São as únicas certezas firmes
Ansiedade e frustração

Traze-me

"Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!"

Cecília Meireles

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Soneto ao Silêncio

Mais um brinde ao seu silêncio
E um gole pra que eu cale
Um leve medo nos teus olhos
Refletido no que quer que eu fale

Não sei porque recorro ao vinho
Pra te ter aqui por perto
Talvez por não saber ao certo
Se é real ou só miragem do caminho

Sei que sigo tantos passos
Só por sentir que vem de ti
Só por ver-te no horizonte

Crerei em tudo que me conte
Só pra te ter comigo, aqui
Pra te ter presa em meus braços

domingo, 21 de novembro de 2010

Silenciado

Eu já perdi muito tempo
Já tentei achar em outros
O que só existe em mim
E agora, tão perto do fim
Meus olhos se abrem, aos poucos

Já lutei contra tanto vento
Tentei viver temores loucos
E segurar o estopim
De uma guerra entre o ruim
E o pior de mim, já soltos

Eu já tentei concertar tudo
E não ficar aqui parado
Me sentindo assim, aliviado
Por escrever e ficar mudo...

Meu Sonho

"Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...

Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.

Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?

Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar."

Cecília Meireles

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Papel Nosso De Cada Dia

Veja só, a que ponto você me trouxe
Me tomou só pelo prazer de uma conquista
E se fez de herói como qualquer artista
Seu toque nunca foi como pensei que fosse

Nem sua tristeza era concreta
Fingiu sofrer só para ser poeta
Enquanto o mundo todo em volta estremecia
Desaba(fa)ndo em coisas que você nem sentia

E agora o que me resta, além de solidão?
Um recado no espelho e um sorriso de anteontem
Um cinzeiro cheio de pontas apagadas e frias
Eu sei que seus passos e acasos não mudarão
E que escutarei tudo que, sobre ti, me contem
Apenas pra preencher minhas noites tão vazias

Mais Um Epitáfio

Diga-me, onde foi que eu me perdi?
Em que olhos eu deixei o meu sorriso
E que sorriso ainda guarda meus olhos?
Diga-me quando foi que esqueci de quem preciso...

Onde eu deixei minha razão, minha ilusão?
Troquei tudo isso por meio coração
Que já veio partido, suprimido em solidão
Onde eu deixei o que fazia sentido... ou não

Diga-me, quando foi que eu perdi pra mim
Pra só hoje entender que nem ao menos fui meu inimigo
Pra entender que só comigo podia estar inteiro...
Pra buscar em outros um eu verdadeiro?

Diga-me quando foi que deixei de ser essência
Pra andar por aí recriando uma existência
Que eu nunca construí pra mim
Porque eu nunca quis que tudo fosse assim

Mesmo que seja assim

Avise quando for embora
Conte seus passos pra que eu feche seus espaços
Leve os teus traços pra que eu apague os seus rastros
Pra que limpe da memória os teus abraços
Pra que não sinta mais teus braços
Que me desprenda de tantos e tantos laços
Que me prenderam a tanto tempo...
Grite ao vento, todas as suas verdades
Suas vontades antigas e escondidas
Suas ilusões reprimidas e palavras contidas
Não me poupe de nada, nada
Eu escolhi ser assim
Eu escolhi não ter fim
Eu escolhi só você
Mesmo que nunca pra mim

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura,
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!

Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh’alma triste, dolorida e escura,
Minh’alma sem amor é cinza e pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!

Que tragédia tão funda no meu peito!…
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!

Deus! Como é triste a hora quando morre…
O instante que foge, voa, e passa…
Fiozinho de água triste…a vida corre…"

Florbela Espanca

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Apelo Coletivo

Falam me sobre azar e sorte
E eu já nem escuto mais
Casos e acasos, quem liga?
O importante é ter onde chegar
Falam me sobre amor e morte
Já nem vejo nada demais
Aceno e digo "prossiga"
Pra o assunto não se alongar

"Fale a todos, se importe"
Já nem me deixam em paz
Afinal, o que querem que eu siga?
Alguma nova idéia vulgar?
"Abaixe a cabeça, se porte"
Penso, que diferença faz?
Seja lá o que for que consiga
Pra mim nunca, nunca vai mudar

--

E agora, o que é azar e o que é amar?
Será que só temos de morrer pra ter sorte?
E afinal, se calar é melhor do que nada falar?
Será que acharemos algo que nos importe?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Não é Nada

Não me peça pra que explique
Nem espere nada certo
Não complique... simplifique
Apenas saia de perto

Não ache nada, não sinta nada
Não serei nada pra ti, pra mim
Não quero ser a escolha errada
O arrependimento no fim

Não me escute. Não me fale
Sobre todos os seus anseios
Ou se contente com um não
Não pergunte, mas não cale
Fiquemos loucos em devaneios
Seremos você e eu em solidão

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Encruzilhada

Em uma estrada qualquer havia uma encruzilhada.
Sentado em sua perfeita interseção estava um velho, sujo e vestido em trapos pretos. Ao ver o jovem se aproximar levantou as mãos, como um sinal.


Venha... Venha me escutar


Pra não falar do que não cabe
Nem esquecer do que se sabe
É melhor nem começar

Só pra quem crê em alma vasta
Pra quem meia palavra basta.
Pra esse eu vou me apresentar...

Sou a maldade em pessoa
Mas também sou uma boa
Pra quem souber observar

Coração bem analítico
Meio senso, crítico
Os limites de agir e pensar

Pele fria e sangue quente
Dono do desejo mais ardente
Que é o de dominar

Enfim, irei ao que interessa
O clímax de minha peça
Está para começar (mas vai passar)

Eu sou o nada, sou o tudo
E no espaço de um segundo
Posso até mudar o mundo...
Se você me deixar entrar

E quando já não for mais cedo
Com um simples toque de um dedo
Apago e crio todo o medo
Que seu coração suportar

Eu sou quem te compõe em notas
Em letras de um mapa, canções, rotas
E do caminho sou as voltas
Sou Morfeu, se alguém sonhar

Sou dono de sua vontade
Em seu espelho sou a vaidade
E se quiser tua liberdade
Eu me prendo ao teu olhar

Sou. Sou, fui e vou sendo
Dentro do peito vou vivendo
E na cabeça vou esquecendo
Qualquer conceito de amar

Calma, não faça alarde
Espere o fim de tarde
Pra que em sombras possa andar

Prometo, não te sigo
Embora siga contigo
Sempre a te vigiar

E quando olhares para trás
Os dois caminhos verás
Onde eu sigo a esperar

E ao próximo que tiver o azar
De se perder pra me achar
Bom, já saberei o que falar

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Metade

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."

Oswaldo Montenegro

sábado, 6 de novembro de 2010

Nada Real

Era só um homem, só um sentido
Olhos manchados sentimento escondido
Era só um e só mais um a sós
Mãos tremulantes e um medo na voz
Era algum alguém, alguém qualquer
Que vive o dia sem saber o que quer
Era brilho talvez ou só reflexo
Tão simples por ser complexo

Ela não era o que queria ser
Não devia, não podia, queria temer
Não era nem foi, nunca feita pra dois
Não era de pensar no que fazer depois
Tendia pro nada, esquecida ou lembrada
Rodava sempre assim, na mesma estrada
Sempre parando nos mesmos pontos
A mesmas personagem de tantos contos

Eles? Acaso, costume, destino
É assim, ou salário ou cassino
Eles eram limites, ou só limitados
Eram raríssimos sorrisos roubados
Eram a síntese do que não se controla
Coração ou cabeça, saudade que assola
Os dois que nunca seriam dominados
Mais uma vez hoje juntos, tomados

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Pegadas

Tuas mãos se calam, sem se mover
Seus pés então param, sem ter pra onde correr
Estás parada em meu mundo a esvaecer
Sua boca se meche, mas a voz só mente

Não está aqui, nem em lugar algum
E vês cada um passar sendo só um
Pertences a si e a homem nenhum
Enquanto o chão segue em sua frente

E eu estou aí, na sua sombra, no muro
Decidido a pular, a refazer um futuro
Contudo seu rastro se esconde no escuro
Siga. A mente para, mas o corpo consente

Teus braços, nem sei se me tem
Nem sei se o queres também...
Pois se teus olhos não me vêem
Teu coração não me sente

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Hoje Eu Quero Lhe Falar...

Então, senta aqui. Por hoje basta
De nada mais preciso, nada quero
Em ti nada procuro, nada espero
Só o mundo inteiro que seu corpo arrasta

Me envolva hoje, como sempre fazes
E nada mais eu digo, eu calo
E só o que quiser ouvir eu falo
Seja de mim ou de outros rapazes

E deixa eu me perder em qualquer gesto
Deixa que minha dor somente eu choro
E ainda assim em cada lua melhoro
Deixa que meu amor eu mesmo testo

Deixa que meu caminho eu mesmo traço
E passando por você é bem melhor
E cada passo do caminho eu sei de cor
E no fim, só me guarde em seu abraço

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Certamente

Se perder é se achar, em outro plano, outro som
Se achar é só um modo de pensar no que é bom
Então ache, enquanto eu acho você, no céu que cai
Se ficar é se apagar perante tantos olhos certos
Quem sabe me queimar é te esperar, braços abertos
Quem sabe que não sabe, certamente, sabe demais

Olhe para o céu, hoje a noite, meu bem
Veja como as estrelas já não brilham mais por ti
Veja como a lua não quer mais ficar aqui
Veja, a noite vai. Sinta como o medo vem

Mas continue olhando, vigiando pontos que caem
No fundo, queres um pra si, eu sei
E o mundo, reles peça que eu criei
Já não serve mais, pois tantos outros lhe atraem

E se encontre de verdade em outras cores
Enquanto eu te procuro em outros amores
Outras dores virão, com a certeza de outro dia
Quem sabe outros sabores pra essa vida fria

Só não espero que me aguardes
Bem melhor que isso, me guardes
Como doce e passageira recordação
Um rosto qualquer em qualquer ilusão

E se achar será se perder, perder um som, um plano
O bom da vida será o tempo passando de ano em ano
Eu acho você e não me acho mais em nada
Te apagar só pra ficar de olhos abertos
E me queimar, em outros braços, incertos
Sei nada, enquanto seguir a estrada errada