Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quarta-feira, 30 de junho de 2010

13 Linhas Para Viver

"1. Gosto de você não por quem você é, mas por quem sou quando estou contigo.
2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.
3. Só porque alguém não te ama como você quer, não significa que este alguém não te ame com todo o seu ser.
4. Um verdadeiro amigo é quem te pega pela mão e te toca o coração.
5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vai poder tê-lo.
6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso.
7. Pode ser que você seja somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa você seja o mundo.
8. Não passe o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.
9. Quem sabe Deus queira que você conheça muita gente errada antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheça esta pessoa saibas estar agradecido.
10. Não chores porque já terminou, sorria porque aconteceu.
11. Sempre haverá gente que te machuque, assim que o que você tem que fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem você confia duas vezes.
12. Converta-se em uma pessoa melhor e tenha certeza de saber quem você é antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem você é.
13. Não se esforce tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos."

Gabriel García Marquez

"Pois a vida é uma sucessão contínua de oportunidades"

Uma Explicação, um Conselho, um Desejo.

"Há apenas quatro questões na vida. O que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido e qual é o motivo pelo qual vale a pena morrer?
A resposta é a mesma para todas: apenas o amor."


Don Juan DeMarco

É engraçado quando os vícios surgem.
Passar perto de onde a gente costumava se ver e ter uma vontade incontrolável de entrar...
Ao entrar ter uma vontade inesplicável de te encontrar...
Ao te encontrar...
Não há explicações, não há desculpas.
Ao te encontrar aquela vontade compreensível de correr.
A vontade de sumir... te deixar pra trás, pra sempre.


Tento elaborar teorias sobre isso.
Tento passar pro papel tudo o que eu queria te falar. Não.
Queria tirar de mim. Sim.
A cultura que nos diz que falar alivia as dores emocionais, comigo isso nunca funciona.

"Lance sua mente de volta para os dias quando eu fingia estar bem
Eu tinha muito a dizer sobre a minha vida louca
Agora que eu fitei o vazio, tantas pessoas, eu irritei
Eu tenho que encontrar um jeito razoável, uma maneira melhor de viver"


Placebo - Bright lights

terça-feira, 29 de junho de 2010

A Dança dos Copos

Havia dois copos postos na mesa.
Um bem vazio, sem cheiro, sem cor
Um transbordando, vermelho licor
Repousava assim a estranha beleza

Triste, o licor, aos poucos pingava
Atormentava, e sempre silenciava
O copo a seu lado sofria sozinho
transpirava, lamentando o vazio

E o licor sumiu, derramado em tristezas
Guardando consigo algumas certezas
Sentia que esvaziando todo o sofrimento
Se embriagaria aos poucos de esquecimento

O copo vazio, deixado sempre de lado
Assistia a cena, calado, desesperado
Vendo todo o desperdício de seu desejo
Sorveu assim o licor, como num beijo

Mas não há tormenta que cesse sem estrago
E tanto licor começara enfim a ficar amargo
O copo, agora cheio, tentou se libertar
E aos poucos, tão triste, pôs-se a transbordar

O copo que agora repousava vazio
Sentia em seu canto um terrível frio
Sufocado por tanto espaço, pôs-se a beber
Cada gota que viesse a aparecer

E assim se firmou a dança dos copos
Enquanto um assistia o sofrimento do outro
O outro sofria calado em seu canto
E quando os sentimentos trocavam de corpos
O outro sofria igualmente aos poucos
E o derramava-se de novo em pranto

domingo, 27 de junho de 2010

Até Chegar o Dia

Vou deixar tudo pra trás
Trocar por um pouco de paz
E de novo te esquecer

De noite um cigarro, um violão
E cantando, apagar a sensação
Que nem sei se fiz por merecer

Quem sabe alguma companhia
Até que uma hora raie o dia
Ser o que eu escolhi ser

E a lua me acompanha
E motiva a minha façanha
Que seria enfim viver

sexta-feira, 25 de junho de 2010

[L (I M I T A] N[ D O])

Recorte sonhos
Cole avisos
Copie meus olhos
Sintonize risos

Construa pontos
Perpetue a fala
Livre em quadro
Preso na sala

Modifique o modo
Traduza o toque
Abra espaços
Onde houver se coloque

Esvazie os limites
Preencha o vazio
Limite os homens
Aqueça o frio, frio

Misture as frases
Modifique as fases

Sintonize os olhos
Cole os risos
Copie os sonhos
Recorte avisos

Livre(me) pontos
(Re)Construa a fala
(A)Prenda quadros
Per(petue) sala

Traduza o modo
Abra o toque
Onde houver espaço
Modifique (o), se coloque

Limite os limites
Esvazie o vazio
Preencha os homens
Sinta o frio... frio

Misture(se) as fases
Modifique as frases.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Escasso

Ouça o som dos meus passos
Veja a cor do meu olhar
Sinta o excesso de espaço
Que parece me dominar

Respire o ar escasso
Intocado ao meu redor


Toque minha carne fraca
Minha alma
Use minhas palavras, sua faca
Crie o trauma

Troque os passos
Arme o olhar
Use meus espaços
Tente dominar
Ouça a melodia fraca
A cor da minha alma
Sinta a palavra, a faca
Que cria o trauma

Respire perto de mim
Toque escasso...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Belo Dia

Uma vida de humano
Duas noites sem sono
Três manhãs com café
Quatro razões pra ter fé
Cinco cigarros sobrando
Seis amigos faltando
Sete vezes iguais
Oito parece demais
Nove erros passados
Dez anos lembrados
Onze é sempre ideal
Doze anos desce legal
Treze trás boas lembranças
Quatorze sem esperanças
Quinze fatos lastimáveis
Dezesseis dias memoráveis
Dezessete passou voando
Dezoito vem se arrastando
Dezenove vai se repetir
Vinte e o que ainda há de vir
Vinte e uma mulheres a sós
Vinte e duas cervejas pra nós
Vinte e três razões pra viver
Zero e nada mais pra entender

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Caco da Inspiração (Velho Amanhecer)

O Caco da Inspiração

Só quem está no centro do furacão pode ficar salvo
E de que adianta a opinião de meros observadores?
De que adianta a pena de iguais sofredores?

Só quem sente sabe
E até que isso acabe
Só a mim cabe
Qualquer atitude

Não escuto suas vozes
Nem entro em discussões ferozes

Nesse tempo de solidão
Sobra inspiração...
Sobra inspiração...


Depreciação.
Depressão.
Condição
De inspiração.


Não.


Hoje o dia está estranho
Faltam folhas em branco
Faltam versos no canto
Sobram palavras no pranto

Me abri em tantos versos


No verso da carta um nome.
Sinta em minha letra a fome
Veja meus olhos de insone
Minha voz no telefone

Minha poesia foi sua, sua e só


A frase nua em minha palma
Mania sua me tirar a calma
De lua em lua perco a fala
Vou a rua e perco a alma...

Sobrava inspiração pra ti
E o seu espaço guardado aqui
Só eu sei o que senti
E enfim cansei, parti

Foi seu, fui seu
Minha poesia sentida
Minha voz incontida
Minha alma partida
Minha vida

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Doce Amargo Regresso

Vamos conversar:

Sabe, cansei de te esperar
e pior, me esperar...
Fico aqui cego e calado
E no que lhe diz respeito parado

Cansei das boas intenções
E não quero suas condições
Se achas que deve ser assim
Então enfim aceito o fim

Cansei de tentar sem sucesso
Criar um doce amargo regresso
Passar por cima de acertos
Dos meus erros, dos seus medos

Guardo as lembranças de outro passado
Vou fingir que fui só apagado
De um mundo seu
Recriar um meu...

E a cada sexta feira
Te ver é me jogar da ribanceira
Acabou pra ti, não pra mim
Acabou comigo e há de ser assim.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Yin Yang (Esquisitice)

Pouco tempo
Muita espera
Lento penso
Ela impera
Muito tempo
Pouca espera
Nela penso
Lento impera
Muito pouco
O tempo espera
Lenta, ela
penso, impera
Quase nada
Vale tudo
Ela cega
Ele mudo
Quase tudo
Vale nada
Ele cego
Ela muda
Quase vale
Nada ou tudo
Ela ou ele
Cego ou mudo
Pouco tempo, quase nada
Vale tudo, muita espera
Lento penso: ela é cega
Ele mudo, ela impera
Quase tudo, muito tempo
Pouca espera vale nada
E eu cego nela penso
Isso impera, ela muda
Quase muito vale pouco...
Ou tudo. O tempo espera nada
Ela lenta... Ele e ela
Pensa o cego... Impera o mu(n)do

quarta-feira, 16 de junho de 2010

You Don't Care

Não sei pra que sair da cama
Mesmo com esse sono leve.
Nos sonhos que nunca vivi
Só dei passos sem sentido
E nisso um erro se criou.

Triste futuro de quem ama
Espero um tempo que me leve.
Nas suas palavras que eu ouvi
Só haviam frases sem sentido
E o mesmo erro continuou.

Tempo que arde como chama
Pra esse homem de alma leve.
Nessa andança jamais vi
Alguém que isso tivesse sentido
E o caminho se trilhou...

Não sei se arde pra quem ama
E quem quiser coração, que leve
Andei em sonhos e não vivi
Nada sem ti tem algum sentido
O caminho errado se tornou.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sérios Problemas Mentais

Acorde cedo, lave o rosto
Tome o seu café com gosto
Leia nos jornais fatos banais
Note noticias todas iguais

Agora carregue o carro e saia
Prepare-se pra um dia de sol e praia
Não repare na água vazia
Na cerveja quente ou comida fria

- - - - -

Acorde, o rosto, cedo ou tarde
Sem café, desgosto, alarde
Fatidicamente. Leia o jornal
O de ontem? É só igual...

Carregue o carro e saia agora
Preparação de praxe, última hora
Vazias, várias garrafas de água
Cerveja quente e muita mágoa.

- - - - -

Não acorde, esqueça o rosto
Desperte com café, oposto.
Aprenda a ler, decore os fatos
Forjar, forçar, talentos natos

Carregue o necessário
Entre, prepare o cenário
Não repare em nada além
Não faça nada muito bem

- - - - -

Troque o rosto, acorde na hora
Refaça o café e vá embora
Pegue os jornais lá fora
Não leia nada demais, jogue fora

Pague caro. Compre balas
Carregue as armas. Faça as malas
Não dispare cápsulas frias
Não desperdice vidas vazias.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma Vida Mais Feliz

Nasça.
Cresça? Não necessariamente, hoje não é uma obrigação social, só biológica.
Seja você, mas lembre-se que você é igual aos outros.
Cuidado, não tente ser diferente, pode ser perigoso...
Se vista igual, roupas de marcas famosas, sapatos que todo mundo tem, óculos da moda.
Veja os mesmo filmes, leia os mesmos livros, escute as mesmas músicas e goste. Não tente mudar isso.
Corte seu cabelo, regularmente. Tatuagens? Apenas se forem compreensíveis, ou melhor, se não significarem nada. Aliás, não signifique nada, afinal, quem liga pra você?
Não fume, nada. Não beba, mas diga que bebe, muito. Pratique esportes.
Sexta-feira a tarde vá ao cinema com os seus amigos, que são muito diferentes de você, e por isso são seus amigos. Na verdade eles são iguais, mas isso não vem ao caso.
Estude, ou pelo menos finja. Passe no vestibular, mas em cursos desinteressantes que são especialistas em formas pessoas frustradas, não bons profissionais.
Agrade seus pais e assim ganhe seu dinheiro. Finja que se esforçou pra isso.
Seja bom e bonito. Escove seus dentes, com o creme dental da propaganda, afinal você também quer beijar todas aquelas menininhas lindas do comercial.
Seja bom, de novo. Ser bom nunca é pouco, lembre-se disso. Ajude os outros, mas só por você e não por eles. Afinal, você não está ajudando mesmo, no máximo se livrando daquelas roupas velhas do guarda roupa, e olhe só, ainda ganha uma carga altíssima de satisfação pessoal. Fez sua boa ação do dia.
Forme-se, naquele curso que você "sempre quis" e coincidentemente seus pais também. Ah, e também era o curso daquele cara da novela que ganhava muito dinheiro, tinha carros importados, namorava a modelo e na verdade, não trabalhava. Descubra que a vida não é simples assim.
Você já se formou? Ótimo, agora volte a estudar e se forme mais algumas vezes, porque você quer ser o melhor...
Na verdade você não sabe de nada, mas recebe seu salário mediocremente alto no final do mês e pode continuar comprando as mesmas roupas... e os mesmo sapatos.
Perceba que todos os seus amigos são iguais a você. Mas agora você já está velho demais pra mudar, e no mais eles são os SEUS AMIGOS, que sempre te acompanham em tudo. E tudo é igual. E eles sempre estão lá, pra fazer ser mais igual ainda.
Encontre a mulher da sua vida, mas descubra que ela não é nada pra você. Descubra também que é muito fácil se acomodar com um relacionamento onde vocês só se vêem nas noites de sexta e nos finais de semana. Muito fácil.
Case-se. Tenha filhos. Reze pra que eles sejam iguais a você. Mas pensando bem, eles não devem cometer os seus erros, eles tem que ser melhores que você. Se frustre. Descubra que não sabes nada sobre eles, da mesma forma que seus pais não sabiam nada sobre você. Mas eles usam as mesmas roupas, os mesmos sapatos. Vêem os mesmos filmes, lêem os mesmos livros, escutam as mesmas músicas. Coincidentemente, eles fazem aquele curso dos seus sonhos, que você não fez, só pra te agradar.
Finja que é feliz, mas só pra não gerar comentários maldosos a seu respeito lá na firma.
Aposente-se, tenha uma velhice de esquecimento, você esquece e eles te esquecem.
Morra, só.
E é só.

domingo, 13 de junho de 2010

Dia Difícil

Hoje foi um dia difícil
Você chegou, me deu um oi e foi embora
E eu fico aqui, esperando a hora
Em que você voltará.

Não da pra entender, meu amor,
Não dá.
Não consigo pensar em razões
Pra ficar sem você ao meu lado
E ainda assim ficar calado.

Te vejo em tantas formas...
Te encontro, onde não devias estar
Mas se fecham tantas portas,
E eu não posso te alcançar.
Não mais.

Me escondo tanto pra te achar
E me acho no lugar
De sempre
Te guardo no meu canto
E ainda me perguntam
Porquê te amo tanto.
Tanto...

sábado, 12 de junho de 2010

Wave, Bad Wave

Hoje o mar está quieto
O sol, forte, me queima
A meses em mar aberto
E sua lembrança teima

Em permanecer

Flutuo em ondas irreais
No meu mar imaginário
O lugar que eu criei
Da minha tragédia, cenário

Todas as vozes são iguais
Os peixes, de aquário
Os homens, desenhei
Tripulação do meu corsário

E ainda assim
Me sinto aprisionado
E no fim
É tudo o mesmo lado
Fico aqui
No meu navio engarrafado

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Poesia Rima Com Nostalgia Pt.5

Parecia melhorar
Parecia enfim dar certo
Cada um em seu lugar
E ao mesmo tempo perto


Sobre maio, me calo
Sobretudo não falo
Um eu, quis achá-lo
Escorri pelo ralo


Mas não era mais o mesmo
Nem homem, nem mago
Sem razão de ser
Sem gole e nem trago

Ouvi dizer, em velhos tempos
Sobre seguir em frente
Que era enfim esquecer
E poder ser diferente

Mas alguma coisa falta
Sobra espaço a preencher
E esse espaço me sufoca
Não consigo entender

E mesmo assim nada me sobra
Nem mesmo algum valor
A morte, e nem a sorte
De algum dia virar vapor

E em tanto vazio
Eu me perco de novo
Devia ter mapeado o risco
De esquecer o que é novo

O eterno não dura dias
O supérfluo dura anos
Palavras com tempo, tão vazias
E ainda assim mudam meus planos

Dói em mim lembrar de outros dias
Mas lavo minhas mãos daqui pra frente
Minha alma, cada vez mais fraca
E acho que não será mais diferente

E sobre qualquer fim
Eu me recuso a aceitar
Qualquer palavra assim
Quero ser, não estar

Mas saberei me portar
Lutar até a morte
Lembrando que o pior azar
É algum dia precisar de sorte

Todo dia amanhece!
Mas o velho amanhecer
Já não amanhecer mais
E eu não posso lhe esquecer

Mesmo que dependas de sorte
Pra chegar a algum lugar
Nunca se importe,
Algum dia irás chegar

Mas só deixaram dores
Nas flores pisaram
Cores não há
Os amores levaram

Apagaram as luzes
O resto eu apaguei
Tudo desfiz
Tudo o que eu achei

Nem pontes sobraram
Até o acerto se desfez
Só resta o passado
Que em sonho se repete outra vez

Mas meço meus caminhos
Que fogem de você
Por quê? Nem sei
Penso em o que quero ser

Já cansei da parte boa
E de vários de meus versos
De vários sonetos
E recriar meus universos

Me cansei da parte má
Me afoguei no inverso
Nos contos não contei
Estou preso no reverso

Acordei hoje
Ontem eu sonhei
Não me contem
Amanhã serei

E por fim a minha parte
De palavras mui fingidas
Sempre fico aqui parado
E me cansei de despedidas

Não parece melhorar
Não acho que dê certo
Longe de meu lugar
E você aqui tão perto

Em maio, me calo
De tudo que sei, falo
Sentido, quis achá-lo
Mas fui pelo ralo

Zarpar

Me repito, me igualo
Me encontro nos padrões, admito
E sobre todos os bordões, me calo

Repouso em águas, seus mares
Guardo marcas
As velhas barcas não voltam

Me sufoco dos mesmos ares
Amolo as facas
As suas não me cortam

Me prendo em esquinas e bares
As velas fracas
Que meus olhos não suportam

Meu ser deixou de ser
E eu já nem quero ver
Como tudo acabará

Minha alma se desprende
Minha essência se rende
Qualquer um me levará

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Abstração

Acendo meus cigarros
Pelas ruas voam carros
Os ponteiros atrasados
Contam tempos já passados

Nos quadros olhos fechados
Nas fotos braços abertos
Meus acordes estão errados
Mas os sons são todos certos

Nas paredes minha prisão
Se estampa na mesma ilusão
Que eu vivo a recriar
Feita de um mesmo sim e não
Que eu carrego em minha mão
Para sempre me lembrar
(Para sempre me marcar)

Homem

Já não me engana com teus jeitos
Sei de todos os seus defeitos.

É estranho no final sermos suspeitos
De crimes iguais...

Já não me engana mais
Com seus sorrisos iguais
Te conheço, meu rapaz
De outros carnavais

Esse olhar de bom ator
E esse tom impositor
Nunca foram teus
Preso sempre em um karma
Fez da poesia sua arma
Erros seus...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Genéricos

As cartas estão na mesa
Com toda a frieza habitual
Sem ritual, sem certeza
Ou tristeza... Sem manual.

Os sóis estão postos enfim
Calmo assim e sem voz
Sem nada de nós ou de mim
Sem nenhum fim tão a sós

Embaralhados e servidos
Embriagados por destinos
Entristecidos, acabados
Pobres meninos divididos

A fórmula mágica da existência
É uma essência tão comum
Que nenhum com experiência
Tem competência pra entender

terça-feira, 1 de junho de 2010

Karma

Ciclos.
Nada se repete
E tudo remete
Ao fato de piorar
Entram em minha vida
E abrem a mesma ferida
Sempre a aumentar

Se escondem em minhas sombras
E sibilam no meu ouvido
As mesmas palavras de renúncia
Que eu ouvi em pesadelos

Falsos.
Cansado do cansaço
Reatei o velho laço
Que sempre vem me enforcar
Falsos
Só não muda o medo
E permanece a dúvida
É sempre assim tão cedo
Que até parece morte súbita

É como um Karma fictício
Que no momento propício
Ressurge pra me torturar
Um Karma feito das palavras
Que você dizia amar...