Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Confissão

Insensato cavalheiro,
Confessa a bela dama tua fraqueza. Confessa-lhe que suas promessas tinham objetivos nobres, mas desejos banais. Confessa-lhe que és tão fútil e limitado como as suas próprias promessas. Confessa-lhe
que nunca será diferente, apenas haverão outras banalidades. Confessa-lhe


Tosse essa verdade imunda que machuca essa garganta. Confessa-lhe que os olhos vermelhos e as olheiras profundas no espelho embaçado são a maior expressão de sua natureza. E grita. Grita às ilusões lá fora para que vão embora. Só assim estará livre para construir outra morte perfeita.

Escorra para o ralo toda a mentira de sua genialidade intrínseca e mostra sua verdadeira pele, sua pele de animal, irracional e instintivo. Lamente o fim dessa tragédia e escolha outra dor pra fingir ser alegria. Mas nunca mais entregue a mente ao que apenas agrada os sentidos.

Agora aceita o compromisso de cuidar de si mesmo.