Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um Pouco do Muito

Tem certas palavras que significam muito pouco as vezes...
Quando diz questão ao que eu sinto por você, uma delas é amor
Que é muito menos.

Versos Íntimos

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"

Augusto dos Anjos

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Ultimato

Você não está atendendo o telefone, provavelmente está dormindo.

Sabe, eu ando cansado demais, triste demais, nervoso demais, estressado demais, preocupado demais, com problemas demais pra resolver sozinho... Você ainda quer piorar as coisas, meu amor? Sempre quer.
Eu quero ajuda! Posso tê-la? Alguém do meu lado as vezes é tudo o que eu preciso, mas cadê você nesses momentos? Você não consegue enxergar porque essas coisas me machucam tanto, mas é justamente por nunca ter dado a devida importância pras coisas que são tão importantes pra mim. Será que é pedir demais um pouco mais de cuidado da sua parte? Será que você não gosta de me ver feliz?

Eu não consigo. Juro. Não sei quanto disso tudo é real e quanto são armadilhas na minha cabeça, só sei que dói. Se você não pode me curar, pelo menos dessa vez não reabra as feridas. Ou então vá embora de uma vez.

Eu não consigo lidar com o que estou sentindo e não posso, de forma alguma, me testar mais ainda com você... Vou enlouquecer! Sei que não vou dormir por muitas noites. Eu só queria alguém pra me abraçar e me ouvir. Queria que você pudesse me fazer feliz.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pra Sonhar em Paz

Recalculei as rotas
Ando atrás de quem?
A quem eu faço bem?
Aumentei apostas
Quero mudar a vida de alguém
Ou mudar minha vida por alguém?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Tempo de Introspecção

É tempo de introspecção...
Devo sentar-me sob o teto da varanda e ver a poeira dos meus dias subir em direção ao céu, enquanto em folhas gastas e úmidas de todas as chuvas que vivi, surgem palavras de lugar nenhum, para ninguém e sobre toda a tristeza da terra. A cena seria muito bonita, se acompanhada talvez por um punhado de folhas secas avermelhadas espalhadas sobre um jardim que há muito se esqueceu a sensação de estar deitado no chão, sob a luz de um sol quente. Esse inverno veio pra unir braços em torno do único bem comum que se manifesta em qualquer um que tenha coração: Paz de Espírito.

Talvez seja melhor incluir na minha varanda uma cadeira de balanço para você, pois espero que nada mais possa balançar o que nós construímos ao longo dos anos, mesmo em todos esses anos que ainda podem vir. Talvez seja melhor comprar um cinzeiro mais largo, afinal de contas, os meus três cigarros de solidão, agora são a nossa solidão. O jardim já não cresce mais. Como poderia crescer se nem ao menos noto os gafanhotos que se apropriaram da região, enquanto gasto cada segundo meu pensando em nós dois? E enquanto o vento carrega a poeira do nosso passado embora, eu afundo cada vez mais nos teus braços... nossos braços.

E sem pensar, eu posso desabar. Não espero que sintas o mesmo jamais, só quero que entenda que trago o peso de coisas demais em minhas costas. Enquanto saímos lentamente desse inverno para nossa tão querida primavera, o contrário nunca acontecerá. O inverno nunca sairá de mim. E nos teus braços, um dia eu irei escutar um tão singelo "vai passar, meu bem" e eu vou saber da inocência perene de cada uma dessas palavras, sussurrando um "não, não vai" tão frio, que você se agarrará em mim com mais força, tão baixo, que você se esforçará pra escutar. Mas a tranquilidade continua. Eu sei que a sua efemeridade nada tem a ver com a eternidade dos meus dias, que podem ser poucos, mas são o suficiente pra me afogar nas incertezas e inseguranças. Me assustar com a cadeira de balanço, balançando ali no canto, sem você sentada. Dois cigarros apagados e um terceiro aceso em minha mão, pra digerir a saudade e a solidão. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aos Tolos

Pros olhos que fecharam, eu vim de braços abertos
No silêncio me julgaram por seguir passos incertos
Eu quis mais do que devia e pago com meu desespero
Eu quis dar tudo o que tinha, sem nunca ter sido um inteiro

A perfeição é para os tolos
Quem muito espera nada tem
Ficar amargo em desconsolo
De não ter ido mais além

E enquanto esperam pelos certos
Os braços que vem para salvar
Eu atravesso estes desertos
Sem saber o que procurar

Mas eu achei o melhor sonho
Não interessa o bem ou mal
E eu já não me envergonho
De escolher o que é real

Porque eu aprendi que o ser perfeito que os tolos buscam
Buscam uma perfeição bem maior do que a tolice