Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Merlin e o Demiurgo

E no chão estava o corpo...
Merlin , o mago, humano, vivo
Jogado no chão meio que morto
Punha-se a pensar no que tinha vivido

“Se o mundo chega a mim através de meus olhos, logo posso concluir que é uma questão muito pessoal.
Se minha mente cria as imagens tendo como base uma idéia que também é minha sobre como as coisas são, logo quem cria meu mundo sou eu mesmo e nele existem todas as coisas que eu quiser enxergar.
Sendo assim, quantos mundos podem então existir em um só? Se eu sou um mundo e você é outro?
Como pode então existir um Deus? Afinal sua imagem básica é o de um criador, mas na verdade quem tudo cria sou eu.
E como podemos ser tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo? Afinal meu mundo é o ‘Eu’ e o seu mundo pra mim é o ‘Você’, mas para você seu mundo é o ‘Eu’ e o meu mundo é o ‘Você’.”

Diante da dúvida Merlin se torturava
Procurava as respostas, mas nunca encontrava
Olhava pro céu buscando sinais
Procurando o divino e não meros mortais

Eis que surgiu uma sombra no céu
Uma sombra coberta de claro véu
Olhou para o homem que a invocara
E se apresentou com a resposta que sempre buscara

“Meu nome é Consciência, sua Consciência sempre ao seu dispor.
Eu sou a prova de tudo o que disse, afinal eu sou sua mente exteriorizada conversando com você, e só me mostrarei a você.
Vim lhe mostrar o que você ainda não enxergou e que caberá a você mostrar aos outros homens que buscarem alívio de dores existenciais.
O mundo é um só Merlin, você o adapta da forma como lhe for melhor. As pessoas se diferem assim, pois se todas vissem o mundo da mesma forma seriam então a ‘mesma forma’.
Os Deuses criaram um plano e criaram os homens para modificarem esse plano, essa é a real idéia de Deus.
O verdadeiro Demiurgo é aquele que cria universos, e não se limita a pequenos mundos. Se juntarmos você e mais um humano que tenha seu próprio ‘mundo’ criaremos assim um universo, ‘Eu’ sou ‘você’ e ‘você’ é ‘eu’, mas lembre se que podemos ser ‘nós’”

Merlin sentiu sua cabeça latejar
Deitado na grama, acabara de acordar
Lembrou se da sombra vestida de véu
Que havia descido do seu próprio céu.

Lembrou se do “eu”, do “você” e do “nós”
Abrindo a garganta, falhava sua voz
“O Demiurgo não deve se limitar”
E foi embora para o Universo criar.

3 comentários:

  1. Sou ateu por que raciocio desse modo: se com um lápis e uma folha em branca eu posso criar um universo e com um pouco de concentração - que será provida por mim mesmo, o poder da minha mente - eu posso me afundar nesse universo, então o criador sou eu!
    posso criar ficções, coisas que não existem! posso ir além do 'criador'. Eu sou deus de meu deus, eu sou a divindade.

    e além disso também sou um pouco arrogante.
    hahah

    legal demais o texto =D

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  2. Arrogancia é só um modo mais rude de sinceridade :D

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