Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 20 de abril de 2017

20 de Abril

Em todos esses dias eu vivi aqui, alimentei muita coisa boa e fui tão feliz que agora até parece que foi muito mais tempo. Mal feito feito e agora é aqui que busco abrigo pra aceitar que o erro é meu, e por muito pouco eu perdi o que mais gostava.


É estranha a sensação, pois não faz muito sentido. Como nada fazia. Mas dessa vez o gosto é ruim, antes era maravilhoso. Não consigo nem dizer ao certo o que é que eu pretendia, mas tiro uma lição desse tropeço, mais vale a incerteza e o medo do que a certeza e a solidão.


Nem deu tempo de doer ainda, escrevo rapidamente porque quero guardar uma lembrança boa. Um mês inteiro sobre ela, uma história curta, mas intensa. Ela tem lugar guardado aqui, mas não vai ser como lamento.


É muito típico do autor a vaidade com sua obra, eu não sou tão diferente. Mas ela sabe o quanto desse mês pertence a ela, cada frase que não foi escrita em vão e as conversas intermináveis que rendiam a inspiração. Fica a devoção ao carinho que só pode ser expressado por aqui.


Confesso estar meio perdido, eu acho que não esperava um fim tão prematuro. Eu ainda tô me acostumando com a ideia de que eu estraguei tudo. Sinto como se tivesse perdido algo muito valioso, um amigo de vários anos, esse diário e confidente, porque eu me abri tanto que nem sei bem se algo ficou. Evidenciei o mal que sou, que sempre fui e sigo sendo e tive compreensão. Engraçado pensar nisso e lembrar do que eu fiz.


Mas vai em frente a vida, fica mais essa dorzinha, pra arder de vez em quando e me lembrar que ainda estou vivo. Definitivamente ela vai ficar aqui mais tempo, porque ainda tenho o que dizer... Ainda tenho o que sentir.


Tá tudo bem, ficar triste é necessário. Perceber tardiamente que o descaso é o que eu repito, muito mais do que repito as rimas que eu te escrevia.

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