Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Paradigma

De onde veio esse sonho?
Essa sombra, esse desejo
Esse medo sem tamanho
De um futuro que prevejo

Que homem é esse que escreve?
Já nem sabe do que fala.
Essa existência tão breve
E que tão cedo já se cala

Que espécie de poeta sou?
Que não sabe ter um ser amado
E se julga sempre condenado
A escrever do que restou

Em que planeta agora estou?
Vejo em frente tantas luas
Tantas cores, puras, cruas
Toda cor que me inspirou

E agora, pra onde devo ir?
Sequer existe algum caminho?
Haverá um modo de fugir
Ou o certo é enfim ficar sozinho?

Que poeta é este? Silenciado
Nem mesmo vive um dia a dia
E continua aqui sentado
Inventando alguma alegria

Há espaço pra mim no escrevo?
Talvez dentro de tanto coração
Que entreguei sem ter razão
Canceriano, eu me descrevo

"Fiz da emoção meu paradigma
Pra escrever "poesia digna"

Me contentando com sorrisos
Ignorando todos os avisos"

Não me preservo e nem desfaço
Não sou inteiro, pois me entrego
A tristeza segue em meu encalço
Companhia que eu não nego

A cada noite uma lua apaga
E junto dela vão meus versos
Talvez essa seja minha saga
Viver vagando em universos

De poeta... só os meios
Transcrevo a vida que me lembro
E cada um de meus receios
Que hoje são tudo que tenho

Futuro hoje pouco importa
Pois nem eu sei o que eu quero
Nem sei mais se te espero
Ou vou embora e fecho a porta



Minha liberdade é lenda
Minha vontade é resto
Minha vida, escrita, a venda
O que sobrou é o que detesto

Um comentário:

  1. Meu senhor! Bravo! Bravo! Bravíssimo! Que poesia magnífica, sutil ao mesmo tempo que carregada de emoções. Congratulações. Também sou canceriano e me identifiquei do título ao último ponto. Até tatuaria alguns versos.

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