Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

domingo, 11 de abril de 2010

Muitos

Todas as pessoas deviam saber se dividir. Do que vale ser um só? Do que vale ser alguém que não consegue se adaptar? Por que todos devem ser tratados de uma mesma forma? As pessoas devem buscar em si a essência, mas nunca definir alguns traços que as limitem. Não quero ser um e nem quero ser poucos. Quero ser muitos e que nunca saibam quem eu sou. Quero que as pessoas me descubram aos poucos e no fim nunca me descubram. Quero me dividir no que for necessário.

Sobre a essência, se todo o tempo que eu passar com alguém não for necessário pra que eu seja necessário então prefiro não passar tempo nenhum, mas ao mesmo tempo, não quero sombras, nem seguidores. Caminharemos todos de mãos dadas, mas nunca vou parar pra ajudar ninguém.

Sobre o amor, quero que todos se amem mais do que aos outros. Ninguém é apto pra amar alguém se não souber amar sua própria vida em primeiro lugar. Não quero escravos dos meus sentimentos. Sou inconstante e nada que venha de mim é eterno.

Sobre o coração, já o entreguei demais. Não há nada que me reste.

Sobre o conhecimento, parado não serve de nada. O pouco que eu sei deve sempre ser acrescentado aos que tiverem interesse.

Sobre a força, novamente, não preciso de sombras. Não me vale de nada alguém que simplesmente concorde comigo em tudo. Quero que se imponham, que se mostrem. Julguem-me inimigo se necessário, quero uma guerra constante.

Sobre a magia, ela está em tudo e não há nada a ser dito.

Sobre a coragem, tenham sempre a coragem necessária pra coisa mais difícil que os homens criaram, passar por cima de si mesmo. Pra que serve a palavra se não pra ser quebrada? E o orgulho? Tenha a coragem de perdoar e ser perdoado, mesmo que eu não seja exemplo pra isso. Nem tudo o que sai de mim é o que sou de verdade.

Sobre a indiferença, as vezes é necessário esquecer os defeitos do resto do mundo se isso significar algum tipo de felicidade, ou melhor, alívio.

Sobre a vaidade, moderadamente é o melhor remédio pra alma. Não tenham vergonha de se envaidecer.

Sobre o orgulho, às vezes é necessário pra deixar pra trás o que te faz mal. Não é necessariamente orgulho, o nome certo talvez seja amor próprio.

Sobre a paixão, nossos atos devem ser movidos por isso. Do que vale o homem sem o desejo?

Sobre a vontade, “Amor é lei, lei sob vontade”, nada no mundo resume melhor. “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”, Aleister Crowley é um gênio.

Sobre a simplicidade, não tente se complicar, nem sempre o caminho certo é o mais difícil e as vezes lutar demais por algo é só se torturar. Saiba reconhecer a derrota.

Sobre a amizade, em minha mesa eu quero sempre meus cavaleiros, mas sempre a minha direita um Lancelot.

Sobre proteger os amigos, Hércules e Atlas sempre estarão juntos, pois um sempre precisara do outro.

Sobre se dividir, ser um só sem ser muitos não é viver, é sobreviver. Adaptação é a lei da vida, mas eu detesto leis. Não se adapte, crie a sua realidade, o seu mundo.

Sobre mim, sem cada uma dessas partes eu sou apenas um nada.

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