Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fui

Eu fui muito por muito pouco
E fui pouco demais pra um louco
Eu fui velho demais pra um homem
E novo demais pra os anos que consomem

Eu fui mago por poucos instantes
E fui homem de desejos inconstantes
Fui poeta de expressões tocantes
E fui vivo, mesmo em ventos cortantes

Eu fui seu por ser meu demais
E fui meu por não ser capaz
De ser mais teu.
Eu fui livre dentro de minha cela
E fui paisagem pra minha janela
Quando fui mais eu.

Eu fui cada dor que em ti doeu
E fui cada brasa que em minha pele ardeu
Fui pra sempre alguém que nunca soube
E fui alguém que nunca coube
Nesse mundo.

Eu já fui todos os extremos de um segundo
E já fui demiurgo pra criar um mundo
Que te dei
Eu fui o fogo que destruiu sua terra
E a tristeza de qualquer um que erra
Veja o que causei

Eu fui todo o meu passado
E fui do seu futuro apagado
Eu fui um homem tão amado
E fui o que sou, amargurado

Eu fui alguém que teve escolha
Que preferiu sufocar na bolha
De minha alma
Eu fui um sábio prepotente
Fui um arrogante sorridente
Simulando calma

Eu fui tudo o que não queria
Eu fui tudo o que não podia
E agora estou fadado a ser
A dor que reside em viver.

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