Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Cartas Marcadas

Fiz um apanhado de tudo o que eu pensava que era, transformei isso em um espelho, pra que eu pudesse refletir por todos os ângulos. Ainda assim eu não consigo imaginar onde estou em tudo isso.

Perceba o que eu venho percebendo: A tinta nas paredes tem algum propósito, talvez elas estejam lá pra te mostrar que sua vida só pode ter um punhado de cores. Eu escolhi viver isso de forma diferente. Usei outras tintas pra tingir os meus limites e deixei claro para minha insubordinação inconsciente de que o que as tintas dizem nada ao meu respeito. O que está aqui escrito nas paredes é só um grito que as paredes precisavam dar, porque os meus não seriam ouvidos.

Ainda assim eu as escuto, ainda assim eu as concebo como companheiras nos momentos abstratos. Estou rindo e chorando, porque os meus sentimentos pertencem a outras dimensões agora, isso significa pouco mais que nada pra quem lê e quase tudo que é possível para quem escreve.

Essa é a minha droga, esse é o meu vício, essa a minha fraqueza. As palavras na parede são o sinal de onde eu queria estar, em um momento congelado no espaço tempo, visível apenas para quem tem alma pra compreender a magnitude do que optei por silenciar. Meu silêncio raro é a manifestação de que o surto tomou conta.

Meias palavras me causam atitudes reais, meias verdades me propõe verdades reais, meias promessas me geram expectativas concretas. Nada disso é paupável, eu sei. Do vasto campo insólito da feira de sensações, eu gastei tudo o que tinha em uma única cartada, será que devia ter distribuído melhor as experiências? Eu não sei do que eu não vivi, eu não sou o que eu não pude ser, eu não meço os passos que deixei de dar, mas tudo isso está aqui em alguma parte da minha estrutura.

Mecanicamente eu ainda uso das tintas pra enfeitar minha penitência, cada uma delas é a redenção de algum pecado.

Na teoria eu devia estar tentando atingir alguém com esse lirismo, mas de tudo sobrou cinismo e eu nunca soube me conter. Quero me atingir, quero me mostrar que dói mesmo, quero me fazer lembrar todos os dias desses fragmentos de realidade que eu deveria ter desmantelado em possibilidades boas, era tudo tão propício, mas era tudo duvidoso. Eu optei por ter conteúdo pra construção, disso venho construindo epopéias frágeis em castelos de cartas, todas elas me deixam ser coringa, todas elas me deixam ser quem quer que eu possa ser... nenhuma delas aceitou minha marcação. Acho que de cartas marcadas basta essas do destino, né?

O branco não é mais branco agora, ele foi manchado por azul e preto
O branco não é mais branco agora, ele foi manchado por mim.

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