Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Delírio Social

O delírio social de ser alguém em meio a outros
Despir-se inteiramente de qualquer identidade
Somamos gentilezas ignorando as inverdades
Quanto disso perderemos nesses tantos desencontros

Não é bem visto ser honesto se o honesto não agrada
Não é aceita a transparência se os sentimentos ardem
A luta por menos afeto, para que os afetos tardem
O melhor desse silêncio é que nunca se diz nada

De um nada para o outro tudo muda, tudo vai
Mas será que alguma coisa realmente se perdeu?
Não dá nem pra saber se de fato aconteceu
Uma hora ou outra todo atencioso se distrai

E passou mais uma vez, todos sempre passarão
E eu só não passo junto porque tenho essa decência
De forçar essa cortina e demonstrar a independência
Cada ator nesse roteiro cumprirá sua função

E todos irão passar, todos se apagarão
E a luz que indica atividade vai aos poucos se perdendo
O que ardia já não arde, mas o que dói segue doendo
É o preço social de não seguir a multidão

Mas dizem que isso muda e o delírio vira paz
E os olhos vão perdendo a lucidez e a loucura
O tempo se fechou em desenlaces de ternura
E os tons dessa rotina todos ficarão pra trás

A gente vai se encontrar em outro sonho quase quente
Onde as cores não tem nome e onde os nomes não tem som
E tudo será fácil com requintes de algo bom
E a gente acorda em algum lugar entre o morno e o indiferente

Ninguém quer saber o que acontece com a gente
A educação é uma chatice, mas é só o que nos resta
No fundo a gente sempre soube que nada disso presta
No fundo a gente sempre soube que nada disso segue em frente

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