Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Delírio

Outra noite para mais outros olhares
E tantos braços que me acolhem em silêncio
Os lábios cerram, não há tempo pra pesares
Toma meu corpo, une ao teu, causa o incêndio

São vários nomes que atravessam esses tempos
São várias sombras que reclinam-se à minha
São vários donos que ocupam estes assentos
São várias vozes pra essa noite tão sozinha

Ocupo-me para você não se ocupar
Espalho-me pra você não se prender
Estranho-me para você não se anular
Disfarço-me para você não se perder

Que vale a ti mais outro corpo ou outro nome?
Sou só outro qualquer que a noite traz
E quando a noite acaba a gente some
O dia nasce pra você e outro rapaz

Todos os nomes durariam pouco tempo
Todas as sombras te deixaram aqui sozinha
Não terás dono, nem carinho, nem alento
A última mão que lhe sobrou é só a minha

Ocupando-se pra você não se ocupar
Espalhando-se pra você não se prender
Estranhando-me, isso é se anular?
Disfarçando-me pra você não me perder

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