Histórias passadas de coisas não tão passadas assim

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Tempo de Introspecção

É tempo de introspecção...
Devo sentar-me sob o teto da varanda e ver a poeira dos meus dias subir em direção ao céu, enquanto em folhas gastas e úmidas de todas as chuvas que vivi, surgem palavras de lugar nenhum, para ninguém e sobre toda a tristeza da terra. A cena seria muito bonita, se acompanhada talvez por um punhado de folhas secas avermelhadas espalhadas sobre um jardim que há muito se esqueceu a sensação de estar deitado no chão, sob a luz de um sol quente. Esse inverno veio pra unir braços em torno do único bem comum que se manifesta em qualquer um que tenha coração: Paz de Espírito.

Talvez seja melhor incluir na minha varanda uma cadeira de balanço para você, pois espero que nada mais possa balançar o que nós construímos ao longo dos anos, mesmo em todos esses anos que ainda podem vir. Talvez seja melhor comprar um cinzeiro mais largo, afinal de contas, os meus três cigarros de solidão, agora são a nossa solidão. O jardim já não cresce mais. Como poderia crescer se nem ao menos noto os gafanhotos que se apropriaram da região, enquanto gasto cada segundo meu pensando em nós dois? E enquanto o vento carrega a poeira do nosso passado embora, eu afundo cada vez mais nos teus braços... nossos braços.

E sem pensar, eu posso desabar. Não espero que sintas o mesmo jamais, só quero que entenda que trago o peso de coisas demais em minhas costas. Enquanto saímos lentamente desse inverno para nossa tão querida primavera, o contrário nunca acontecerá. O inverno nunca sairá de mim. E nos teus braços, um dia eu irei escutar um tão singelo "vai passar, meu bem" e eu vou saber da inocência perene de cada uma dessas palavras, sussurrando um "não, não vai" tão frio, que você se agarrará em mim com mais força, tão baixo, que você se esforçará pra escutar. Mas a tranquilidade continua. Eu sei que a sua efemeridade nada tem a ver com a eternidade dos meus dias, que podem ser poucos, mas são o suficiente pra me afogar nas incertezas e inseguranças. Me assustar com a cadeira de balanço, balançando ali no canto, sem você sentada. Dois cigarros apagados e um terceiro aceso em minha mão, pra digerir a saudade e a solidão. 

2 comentários:

  1. Amei essa postagem, é linda demais! Posso compartilhar no meu grupo - QUANDO O INVERNO CHEGAR e em algumas das minhas fotos?Manterei, é claro, os seus créditos? Gratidão.

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  2. pode sim! Mantendo os créditos tá tudo ok

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