sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Proteja-me do que eu quero

A gente acorda repetindo os mesmos versos
Coisas que escrevi há tanto tempo atrás
E de repente um dia a gente nem acorda mais
E os velhos versos se perdem na poeira
A gente acorda junto e junto passa o dia
E eu lhe mostro o que eu quero pra nós dois
Então um dia chega e não há mais um par
E o que eu queria fica pra um "talvez depois"
Os meses passam e as lembranças continuam
O mesmo rosto, o mesmo toque, a mesma pele
E o medo aumenta a cada olhar ao rastro rubro
A velha marca de um amor que era tudo
E o novo trauma que me toma a madrugada
Mais uma súplica que morre no relento
Sufoco a fala e me proíbo de você
Os bares gritam mais uma vez a liberdade
Prontamente a resposta está aqui
Eu me entrego outra vez aos braços falsos
E aos copos sujos de outra farsa que criei
Já não há alma nisso aqui que me tornei
E ainda rogo a proteção da insanidade
Que ao menos nessa sexta-feira eu me suporte
E passe o dia com certa dignidade

28 de Novembro

Eu prefiro guardar aqui a dor da sua ausência
Pois as palavras são pra sempre, como nada mais é... assim espero


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O Alvo

Falsa Sinceridade 21/09/2011

Eu tenho mentido sobre tanta história que até mesmo meu passado vem se confundindo.

Eu não estou bem, não há porque fingir
Nada disso é certo, nem essa máscara de incerteza
Não há frieza e nem há nada pra sentir
Não há porque ficar perto só por não poder fugir

Nada disso lhe convém e já não faz sentido
Não há razão em ser só por não saber não ser
Se o que somos é acaso, por acaso tem existido
E não há como manter o que não se pode viver

A gente sente, eu sei que sente
Mas a gente também mente, por querer sentir
Tudo aconteceu tão repentinamente
E agora a gente não sabe mais como deve agir
A gente só finge que entende
Porque hora ou outra isso tudo vai sumir

O Alvo


E o que eu pude fazer, além de te ver indo?
Enquanto eu estava aqui, colhendo os cacos de outrora
E o que restou de mim agora? Seguir sorrindo?
Aceitar que a sinceridade realmente foi embora?

No mais os dias voam, mas as horas se demoram
E os amigos vão embora quando as garrafas secam
Seus olhos que me negam mas no fundo me devoram
Enquanto outros choram e aos abismos se entregam

A gente foi muito além do que devia, talvez
Mas outra vez fomos além do que devíamos deixar
Enquanto os anos se passavam, tudo se desfez?
O que você dizia crer, era o que eu nunca fui capaz
E com sinceridade, tudo acabou de vez
Mas a minha falsidade vai pra sempre te esperar


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Desde Então

_Olá, meu amor

_Olá

_Tudo bem com você?

_Sim e aí?

_É, tentando.

E desde então tem sido assim.

  As inúmeras tentativas refletem nada mais do que a vontade de ter mais momentos, menos recordações. As reflexões já não atendem o que o espelho reflete. Enquanto eu perco minha imagem, contigo foge a minha semelhança.

E desde então tem sido assim.

  O baixo desespero se agrava e aumenta a imensidão das folhas brancas. Palavras não preenchem o vazio do "Bom Dia". Enquanto eu continuar acordando dos sonhos que me assombram, minha vida pode continuar esse mesmo pesadelo

_Olá, você

_Olá

_Tudo bem com você?

_Sim e aí?

_Já nem tento, só continuo

E desde então tem sido assim

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Bem

Senhoras e Senhores,

Não trago respostas. 
Não, quem me dera poder ler além dos olhos de quem me encanta, abrir a mão e mostrar o espaço que reservo para cada um de vós. Não, quem me dera poder contar mais do que os dias tristes sem partilha, pois as alegrias a gente gasta vivendo, pra que preservar?

Não venho profetizar perdas ou ganhos. Estou em meio à multidão e de olhos baixos, procurando pelos passos certos, mas Deus quis que eu fosse errado, nisso ele acertou. E que sobre claustrofobia... Enquanto me sufoco com o silêncio de vocês.

Não sou nada além do que mostro, não tenho encanto além do que afirmo, não passo de artista que convence, confesso que com pouco esforço. Não tenho intenções além da primordial e mais bela: cativar.

Pois bem, meus amigos, 

Declaro aqui meus bens: As possibilidades que vocês proporcionaram.

As conversas embriagadas em praça pública, as noites que terminam em lugares errados, os arrependimentos do dia seguinte. Dormi em certos lugares que não deveriam nem existir.
Cada palavra encaixada em coerência, em sincronia com a minha necessidade. Vocês são mestres em provar que eu sou pouco em tudo o que queria ser, pois queria ser para vocês tudo o que são para mim:

Bem