terça-feira, 8 de setembro de 2020

Isolamento

O passo derradeiro em retrocesso ao teu caminho
Nunca te fará compreender a imensidão.
Não confundas sonho com desejo e com destino,
A miragem é sempre bela, mas é só uma ilusão.

Afasta-te de tudo, mas não fujas de si próprio,
Tecendo o plano próximo, incitando frustração.
Há cores e valores que não são pros nossos olhos,
O abismo traz resposta, mas impõe a solidão.

Contemple esta fratura, mas escolha bem teu lado,
Ou teus contemporâneos ou o mundo ainda por vir,
Ainda não é o tempo do poeta de seu tempo...

A tinta seca destes versos traz consigo meu passado
E a torpe sensação de que jamais vou conseguir
Romper com a tradição, a mágoa e o isolamento.



sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Amigo, perdestes o rumo

Amigo, perdestes o rumo,
Já não podes prender-se ao chão,
Travaste as batalhas erradas
À ordem de um sonho
Que nunca foi teu.

A porta batida detrás, jamais
Tornará a se abrir,
Enquanto tu fechas o invólucro
E decreta o recesso da luta
À sombra de tua soberba.

Tu sonhas, amigo, eu sei,
Vislumbra jardins e fontes gloriosas,
O reencontro catártico
O perdão transcendental
Que tua metafísica aponta como saída.

Mas teus pés pisam em falso
E tuas forças emanam do equívoco.
És todo remorso e já não sabes
Ser capaz, já não tentas ser correto,
Já não pode se importar.

Cantas a solitude egoísta da noite
E repousas oculto pelas manhãs.
Teus olhos tencionam a indiferença,
Mas traem-se na dor da cobiça
Enquanto atravessas a sala apressado.

Sorri, dividido, sem dentes expostos
Ostentando a máscara do que tu não és.
Tua alma cansada não podes mentir:
És refém de si mesmo, amigo, pois segues
Sonhando com a vida que perdes sonhando.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Banimento

Doce senhorita, perdoa o mal que lhe causei, 
Perdoa os versos doces que não tomaram vida,
A marca da memória e o vazio que criei,
Perdoa, pois a nós só resta a despedida.

Nada em ti grita por mim, mas ainda assim te escuto,
Tenho velado à distância o teu frágil coração
E posso garantir que tu reténs minha atenção...
Me calo, pois eu sei que fui embora resoluto.

Teu coração reside ainda em teu peito, senhorita
Cansado e desiludido, mas ainda resta amor
Saibas que o intento estava em cada frase escrita,
O intento mais sincero era amar-te com fervor.

Já não há feitiço e encanto, foi-se o meu magnetismo...
Tudo que escrevi a ti seguirá sempre sendo teu,
A marca desse amor que nunca aconteceu,
Mas que de alguma forma ainda deixa saudosismo.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Desfez-se, na baía silente dos sonhos, meu último castelo de areia,

Desfez-se, na baía silente dos sonhos, meu último castelo de areia,
A obra frágil e imperfeita, que eu nunca pretendi criar.
Teve desfecho, aquele que ninguém anseia:
Morreu no mar. 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Donos do Mundo

O amor descabível, absurdo
A linha tênue do perigo
Não diz e nem pode dizer
Do que se passa comigo.

O amor descomedido dos contos
A marca aberta dos dias do passado
Se perdem na bruma dos sonhos
Que tenho vivido ao teu lado.

Tardes eternas que se anunciam
Por sob o crepúsculo de tua chegada,
Finalmente o sonho persiste ao lençol.
Seremos bem mais do que eles desconfiam,
Amantes da lua, por toda a madrugada,
Donos do mundo, do espaço e do sol.