quinta-feira, 28 de maio de 2026

A Impensável Hora

Cegava-me o sol, às onze horas, de frente à linha
Onde tomaria, por mais uma vez, o trem
Que leva à instância de teu novo recomeço.
Há anos busco a paz que tu me prometeras,
Enquanto viajo pelos vales e depressões de nossa vida.
Por tantas vezes desdenhamos do futuro, enquanto descíamos
Os andares escuros do Edifício Raposo Tavares, em busca
De serras e pecados.
Haveria de chegar um tempo em que tu subistes só,
E quando chegasses, essa impensável hora, anunciaria
Um ano sombrio, peste, guerra,
O fim de nossa sintonia.

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