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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A Chave do Feitiço

Ergue-se o sol e não dura mais que um dia
E minha triste melodia, aqui chega em seu final.
Há de haver algum sinal que marque o cerne da memória
Ou transforme em bela história o que já não é real.

Clamo sutilezas mil, translúcidas de ensejo,
E condenso algum desejo, que é a chave do feitiço,
Então, dito tudo isso, são dez giros de ampulheta
E o passado, que se enfeita, abre as portas de um início.

Há perigo além da curva, disso tu já sabes bem,
Seja neste ou em outro conto, o canto pode silenciar,
A distância, a bruma, o tempo, são questões subjetivas...
Há perigo além da curva, outra curva sempre vem
E em uma destas curvas tu bem podes se lembrar
Desta marca na memória, desta história ainda viva.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Vida Vã

Venho corrigir um erro antigo
E impor limites à tua descompostura.
Chega a noite e tu rende-se ao perigo
À selvagem e inconstante forma pura.

Tu crês que sempre podes mais,
Mesmo que tudo em ti lhe peça menos.
Sei que amas todos os venenos
E já nem pensas que os danos são reais.

Mas afirmo, tudo em ti decai,
Enquanto, louco, tu festejas outro dia
E morre um pouco ao levantar-se de manhã.
Essas feridas mostram o corpo que lhe trai
E só lamentos hoje soam de quem ria.
Até quando vais viver a vida vã?

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Reconstrução Romântica

Chega dessa antiga história
De dar escolha ao coração
Depois sofrer sem opção
De incompetência inglória.

Tu és músculo, daqui em diante
Que, de obediente serventia,
Nunca questiona minha guia
E cega-se ao que é importante.

O corpo estúpido e carente
Deseja o pulso e luta debilmente
Por qualquer traço de ilusão brilhante
Mas eu, agora pérfido tirano,
Já não recaio mais no velho engano
E todo sentimento é só um instante.

sábado, 13 de maio de 2023

Meu Coração

Descansa em paz, meu coração...
Vê se não vai perder-se em outro recomeço,
Culpar os outros pelo teu próprio tropeço
E acabar-se nesta angustia sem razão.

Tu fostes forte e se propôs ao infinito,
Mas não há amor além da tênue divisória
Onde o afeto torna-se mais um atrito,
Resta carinho e a inércia da memória.

Desprende-se da mágoa, névoa torpe,
Esquiva-se da trégua e, enfim, suporte,
Este caminho há de ser pago com suor.

Esconde-se do vício, vasto abismo,
Entrega-se ao início sem cinismo,
Que o tempo há de provar se foi melhor.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Salamandras & Serafins

                                                                 Ao Amigo Inácio Arcanjo.


Querido amigo, tenho orado em teu nome,

Que a graça do Senhor desperte teu olhar,

Que tu há muito já não sabe o que é amar

E é só escravo de um vago renome.


Tu, que confundes, forjas e falsificas

Qualquer traço de afeto verdadeiro

Em teus disparos de reles cancioneiro,

Nunca entendeu que amor é pra quem fica.


E sei que vais partir, é do teu tipo,

Apaixonar-se por bem pouco, quase nada,

E dar as costas ao sinal de tempestade.

Mas a ti, meu caro amigo, eu antecipo

Que a solidão é pouco a pouco conquistada,

E tu há muito demonstrou tua vontade.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Versos Quase Íntimos

Vês, ninguém mais veio assistir ao formidável
E surpreendente enterro de mais outra quimera.
E enquanto eu me metia com a pantera,
Só restou tu de companheira inseparável.

Eu já sei bem de toda a lama que me espera
E já me acostumei com a ideia inevitável
Mas a batalha só me é desfavorável,
Se não houver tua ajuda pra enfrentar a fera.

E assim vamos, em traços e tragos e cigarros,
Em casos e abraços e encontros e esbarros
Nos modos mais bizarros que podemos ter

As piores dores são as que mais divertem
Que as pedras jogadas nunca nos acertem,
E lembre-se, sempre, que estou com você.

domingo, 22 de novembro de 2020

Coisas que faço, pois vivo, que faço pra poder viver.

Estas coisas que faço, nas quais gasto meu tempo,

Sem qualquer traço de paixão ou de intento,

As coisas que faço, já nem tocam meu coração,

Mas faço, como se não me restasse nenhuma opção.


As coisas que faço, nem queria fazer,

Faço-as, enquanto o sol segue seu curso,

Faço-as, sem crer em retorno ou recurso,

Sigo fazendo-as enquanto viver.


E, afinal, faço-as sem propósito ou questionamento,

Como se a condição imposta fosse imposta, de fato, 

E detenho o protesto que minha alma ainda pensa em fazer.

São coisas que faço, criadas na inércia do tempo, 

Que nunca me dizem nada, nada de imediato, 

Coisas que faço, pois vivo, que faço pra poder viver. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Resiliência

Até poderia ser pela falta de sorte, 

A falta de uma chance, pela falta de aviso,

Por faltarem contigo, e que pouco isso importe,

Mas no fundo tu sabes: não é nada disso.


Poderia até culpar o mundo, que sequer se pensa,

Mas tu que se pensa e se sente, não se culpa e se ressente...

Se não dormes o sono dos justos, então de nada compensa,

Mordido em silêncio profundo, de quem cala e consente. 


Poderia até ser pela indústria que massacra o autor,

Pela sociedade que oprime teus companheiros,

Ou pelo carma do que fizestes, também. 

Por aquilo que escolhestes, seja lá o que for, 

Ou o que não escolhestes, de modos grosseiros,

Mas é a tal da resiliência, que você não tem.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Guarda-me

Guarde-me dentro de teu peito, amada minha, 

Guarda-me inteiro em seu sonho mais bonito, 

Se não restam esperanças, eu ainda acredito, 

Guarda-me contigo e nunca estarás sozinha. 


Guarda-me, assim, nas lembranças mais ternas, 

Guarda-me, enfim, como o que restou 

Do amor mais sincero, que o tempo tomou, 

Bem antes do tempo das juras eternas. 


Guarda meus olhos, meus beijos, minha voz 

A memória mais quente da vida que negas, 

E o caminho de volta, pra quando quiseres. 


Guarda-me, agora, que o tempo é feroz, 

Preserva este tolo, que ao teus pés se entrega, 

E, mesmo que louco, ainda te queres.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Senti o frio, o abraço vago que a morte oferecia,

Senti o frio, o abraço vago que a morte oferecia
No horror da noite, vi na sombra do passado
A ilusão do amor jamais vivido antes
Do sonho terno que teu corpo me propõe.

Súbito cessaram as máquinas, a obra poética,
Os planos herdados de apreço e desilusão,
O indulto dos mortos e o ardil dos Deuses,
A vida que tua luz não iluminava e que a mim foi tudo.

Pois o amor, enquanto arte, é um sonho quente,
Como uma valsa que repete noite a noite, 
Mas não aquece e nem renova o coração.

Somente tu é que acende o que não queima,
Só teu beijo recompõe minha vontade,
Só a ti amo, como nunca amei ninguém.


 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Isolamento

O passo derradeiro em retrocesso ao teu caminho
Nunca te fará compreender a imensidão.
Não confundas sonho com desejo e com destino,
A miragem é sempre bela, mas é só uma ilusão.

Afasta-te de tudo, mas não fujas de si próprio,
Tecendo o plano próximo, incitando frustração.
Há cores e valores que não são pros nossos olhos,
O abismo traz resposta, mas impõe a solidão.

Contemple esta fratura, mas escolha bem teu lado,
Ou teus contemporâneos ou o mundo ainda por vir,
Ainda não é o tempo do poeta de seu tempo...

A tinta seca destes versos traz consigo meu passado
E a torpe sensação de que jamais vou conseguir
Romper com a tradição, a mágoa e o isolamento.



segunda-feira, 13 de julho de 2020

Donos do Mundo

O amor descabível, absurdo
A linha tênue do perigo
Não diz e nem pode dizer
Do que se passa comigo.

O amor descomedido dos contos
A marca aberta dos dias do passado
Se perdem na bruma dos sonhos
Que tenho vivido ao teu lado.

Tardes eternas que se anunciam
Por sob o crepúsculo de tua chegada,
Finalmente o sonho persiste ao lençol.
Seremos bem mais do que eles desconfiam,
Amantes da lua, por toda a madrugada,
Donos do mundo, do espaço e do sol.



sábado, 4 de julho de 2020

Valioso

Que o Senhor revigore meus olhos, conceda-nos tempo de sobra
E caso questionem sua obra, que nosso amor sirva de exemplo.
O mundo se acaba lá fora, enquanto apenas a contemplo
Ergo em meu peito teu templo, imune a passagem das horas.

Sonhos da vida real, teus olhos que fitam meus versos
Tantos lamentos dispersos à força de tua presença
Sei que isso não é normal, mas será que faz diferença?
Nós nos encontraríamos, mesmo em caminhos diversos.

Pousa tua mão na minha, aquilo que nos falta agora
É tão pouco diante da imensa cumplicidade,
Tu cessa a tormenta que envolve este coração ansioso.
Vês, não estás mais sozinha. Esquece as dores de outrora,
Que agora tu conhecerás o que é amor de verdade.
Buscava o brilho e a glória, mas achei algo mais valioso.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Quando menos esperar

Quando menos esperar, já serás parte de meu canto,
Parte destas linhas tortas que te escrevo displicente.
Então, só pelo susto, é que eu logo te adianto
Que me apaixonar agora é um tanto coerente.

Quando menos esperar é que eu ajo, silencioso,
E te escrevo novamente, pra frisar o envolvimento.
Não peço que respondas, é somente o que não ouso,
Mas saibas que a desejo, a todo momento.

Quando menos esperar, já estarás me esperando,
Mas nunca saberás ao certo o que deves esperar,
Se até a mim assustas o desenrolar dos planos.
Quando é que a espera acaba? Isso está me inquietando.
Ansiosos, como nós, nunca souberam esperar,
Mas é que nós dois sabemos evitar os desenganos.



Desastres e Transtornos

Te fiz uma promessa, aos teus olhos desatino,
Entretanto cá estou mais uma vez versificando
A mística imprecisa do meu mais novo encanto,
Já não sei o que esperar de tantas peças do destino.

Me conta toda a história que viveu até aqui
Que eu enfeito com palavras o momento que vivemos
Não críamos ser possível, como nos surpreendemos,
A minha próxima história tem espaço para ti.

Vem, mas traz o teu desastre e teu transtorno
O que deu errado antes, que é pra gente consertar,
E o que ainda quer viver nos anos que vem a seguir.
Vem, mas saiba que depois não há retorno,
Cada poema que escrevo é só pra te enfeitiçar
Com essa ânsia de viver o que ainda vamos construir.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

A Criança e o Mar

O mar logo será natural aos teus olhos, criança,
Não se assuste com a imensidão a frente,
Tua vida veio como um sopro de esperança
Que renova um mundo indiferente.

Virão vários dias de luta e algumas noites de sonho,
E as vezes a força parece falhar, é verdade,
Mas saibas que tu terás sempre o tamanho
Das tuas ideias, somadas à força de tua vontade.

Tua história não acaba na praia, entre a areia
E o sol que te banha, nãoprenda-se ao medo latente
Que emana das feras do fundo do mar.
Escuta somente aquilo que teu próprio peito anseia,
E faz tua história como vier-lhe à mente,
Tu tens um mundo a conquistar.



sábado, 13 de junho de 2020

Bela

Rejeito a explicação mais coerente
E é sorrindo que me assumo enfeitiçado.
Rendido à mística desse amor urgente
Que se apossou do coração abandonado.

Que bela surpresa era o destino reservado
Tão complicado traduzir em poesia
É que se eu soubesse que você existia
Não descansaria até estar ao teu lado.

Toma cuidado, coração, vê se te acalma,
Palavras belas não serão suficientes
Dessa vez tens que fazer por merecer.
Eu já sabia, bem no fundo de minha alma,
Que a completude me aguardava logo em frente,
Tu já me tinhas, muito antes de saber.

domingo, 24 de maio de 2020

Parcelas de Verdade

De súbito, iça-me ao céu, como delírio vespertino
Só pra ver se a queda é dura em qualquer situação,
Não sei mais o que fazer com esse tolo coração
Que só de imaginar, rende a ti outro suspiro.

A consciência deste enlace tem tirado meu sossego,
Me aprisiona diariamente nesta cela de saudade.
Sei que soa exagerado, mas há parcelas de verdade,
Nelas busco explicação que justifique o meu apego.

Se me queres, começas por me querer bem,
Além deste revestimento, necessito de cuidado,
Que os anos de solidão me cobriram de poeira.
Se queres desvendar-me, há um segredo e nada além,
Aumento algumas coisas, mas não tenho exagerado
Quando ouso lhe dizer que minha paixão é verdadeira.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Desarme

O novo encanto é sempre o mais intenso
Enfeitiça toda a criação poética.
Meu coração deseja, mas minha alma é cética,
Então guardo a mim tudo que penso.

Queria atravessar tudo isso ao lado teu,
Nutrir a mística que anuncia este romance,
Viver o máximo até que você se canse,
Mas não deseje se esquecer do que viveu.

Ah, pareço estar tão vivo agora,
Rendendo versos encantados para ti
Desejando que teu beijo me desarme...
Ah, como seria bom se fosse agora,
Dar sequência a tudo aquilo que senti
Desde quando me encantei pelo teu charme.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Versos Tricotados

Subitamente desaba a tempestade,
Toma meu peito por outra madrugada inteira,
E tão somente quando a sombra derradeira
Vai embora, volta a criatividade.

Queria o encanto da promessa fácil, mas
O coração ordena sempre outro caminho
E agora ponho-me a contar fio por fio
Desse novelo em que eu me envolvo e nada mais.

Nasce outro dia, desta vez peço que dure
Muito mais tempo do que os outros tem durado,
Acho que agora encontrei uma saída.
Veja bem, este presente é pra que o frio não perdure,
Sobre teus ombros estes versos tricotados
Serão o início do que nos vem em seguida.