Amigo, perdestes o rumo,
Já não podes prender-se ao chão,
Travaste as batalhas erradas
À ordem de um sonho
Que nunca foi teu.
A porta batida detrás, jamais
Tornará a se abrir,
Enquanto tu fechas o invólucro
E decreta o recesso da luta
À sombra de tua soberba.
Tu sonhas, amigo, eu sei,
Vislumbra jardins e fontes gloriosas,
O reencontro catártico
O perdão transcendental
Que tua metafísica aponta como saída.
Mas teus pés pisam em falso
E tuas forças emanam do equívoco.
És todo remorso e já não sabes
Ser capaz, já não tentas ser correto,
Já não pode se importar.
Cantas a solitude egoísta da noite
E repousas oculto pelas manhãs.
Teus olhos tencionam a indiferença,
Mas traem-se na dor da cobiça
Enquanto atravessas a sala apressado.
Sorri, dividido, sem dentes expostos
Ostentando a máscara do que tu não és.
Tua alma cansada não podes mentir:
És refém de si mesmo, amigo, pois segues
Sonhando com a vida que perdes sonhando.
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Banimento
Doce senhorita, perdoa o mal que lhe causei,
Perdoa os versos doces que não tomaram vida,
A marca da memória e o vazio que criei,
Perdoa, pois a nós só resta a despedida.
Nada em ti grita por mim, mas ainda assim te escuto,
Tenho velado à distância o teu frágil coração
E posso garantir que tu reténs minha atenção...
Me calo, pois eu sei que fui embora resoluto.
Teu coração reside ainda em teu peito, senhorita
Cansado e desiludido, mas ainda resta amor
Saibas que o intento estava em cada frase escrita,
O intento mais sincero era amar-te com fervor.
Já não há feitiço e encanto, foi-se o meu magnetismo...
Tudo que escrevi a ti seguirá sempre sendo teu,
A marca desse amor que nunca aconteceu,
Mas que de alguma forma ainda deixa saudosismo.
terça-feira, 14 de julho de 2020
Desfez-se, na baía silente dos sonhos, meu último castelo de areia,
Desfez-se, na baía silente dos sonhos, meu último castelo de areia,
A obra frágil e imperfeita, que eu nunca pretendi criar.
Teve desfecho, aquele que ninguém anseia:
Morreu no mar.
segunda-feira, 13 de julho de 2020
Donos do Mundo
O amor descabível, absurdo
A linha tênue do perigo
Não diz e nem pode dizer
Do que se passa comigo.
O amor descomedido dos contos
A marca aberta dos dias do passado
Se perdem na bruma dos sonhos
Que tenho vivido ao teu lado.
Tardes eternas que se anunciam
Por sob o crepúsculo de tua chegada,
Finalmente o sonho persiste ao lençol.
Seremos bem mais do que eles desconfiam,
Amantes da lua, por toda a madrugada,
Donos do mundo, do espaço e do sol.
A linha tênue do perigo
Não diz e nem pode dizer
Do que se passa comigo.
O amor descomedido dos contos
A marca aberta dos dias do passado
Se perdem na bruma dos sonhos
Que tenho vivido ao teu lado.
Tardes eternas que se anunciam
Por sob o crepúsculo de tua chegada,
Finalmente o sonho persiste ao lençol.
Seremos bem mais do que eles desconfiam,
Amantes da lua, por toda a madrugada,
Donos do mundo, do espaço e do sol.
terça-feira, 7 de julho de 2020
Feiticeiros
Se ao menos eu fizesse justiça ao nome que carrego
E, por força de vontade, repensasse o encantamento.
Sei, de mago tenho pouco, mas o feitiço eu não nego,
Quero estar enfeitiçado por ti a todo momento.
Por saber que todo dia eu viveria imaginando
Se me prenderia o amor ou o respeito ao compromisso,
Quando menos esperava, já estava me entregando.
Me admira tanta sorte, que eu nem mesmo merecia,
Por detrás de toda bruma havia mais do que o esperado,
Eu, quando tomei o barco, não esqueci o que dizias,
E voltei só por saber que o meu lugar é do teu lado.
Ah, se os sábios do passado soubessem desse conto,
Em que o charlatão mais falso se descobre verdadeiro,
Eu que fugia do amor, mas não fujo do confronto,
Agora só posso pensar em como te amar por inteiro.
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