terça-feira, 18 de outubro de 2016

Silenciosos

Pra que se preocupar com a intenção por trás das palavras?
Tudo o que somamos até então foi em silêncio

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Cor do Sol

O tempo há de bastar a qualquer mal que venha ao mundo
Nada mais será profundo e nada se ocultará
Segredos desvendados, nada mais será guardado
Nada mais será divino e nada se eternizará

Do pouco que sabíamos não iremos nos lembrar
E o lugar que conhecíamos não dirá nada pra nós
E o que é que a gente sabe, o que podemos saber?
Se a gente nem conhece o que não está em nosso olhar

São tantas cores em uma cor e tanta luz na cor do sol
Que a gente nem consegue ver além do branco limitado
A gente é só um sonho que resiste no lençol
E morre no momento em que o mundo é desbravado

Mas é assim que tem que ser, porque é assim que sempre foi
E ninguém se importaria se a gente só parasse
Mas ninguém recuaria pra estender a mão por ti
Porque ninguém jamais repara, só espera que tu passes

sábado, 17 de setembro de 2016

Véu

As vezes as tardes são espelhos
E mostram na cor do céu 
O que guardamos em segredos
O que está além do véu

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

DL

Eu não tenho palavras pra expressar os fins de noite
O amanhecer me deixa frágil, talvez seja isso mesmo
Não reconhecer direito o que é a dor e o que é o açoite
Não saber se sigo em frente ou se só caminho a esmo

Certamente a mudança vem com o tempo que se vai
E as dúvidas de outrora vão perdendo a importância
Parece que a incerteza desmedida nos atrai
Mas tudo isso vai sempre perdendo a relevância

Não reconheço amargura nas máximas de hoje em dia
Me encontro muito mais em um realismo envergonhado
Em que eu sei o que fazer, mas prefiro nem tentar
As experiências moldam a nossa sintonia
A gente se esbarra em memórias do passado
E dá adeus pra tudo o que não vale continuar

Memorial In Aqua Scribere II

Daqui tanto se fez e tão pouco foi feito
Guardei apreço e mágoa sem pensar em economia
Aqui eu nunca precisei esperar por algum dia
Em que as coisas finalmente funcionassem do meu jeito

Foi aqui que me criei e aqui que envelheci
Foi aqui que formulei as frases certas mais erradas
Dos dias mais bonitos e as angústias já passadas
Foi aqui que eu finalmente me reconheci

Gravei tudo o que podia, guardei o que passou
Me encontrei em alguns momentos em que o essencial
Foi transformar meus pensamentos em algo material
Só assim que tanta dor e sofrimento acabou

Agora eu nem ao certo sei qual é a serventia
Desse amigo e confidente que me acompanhou por anos
Talvez pra relembrar das consequências e dos danos
E esperar que algum dia eu me reencontre na poesia