domingo, 6 de julho de 2025

Por amor

Resiste aos testes do tempo
Apenas aquilo que importa
Toda loucura se perde
Tudo que dói se conforta

Palavras balançam no vento
Sentenças caem por chão
Versos de outros momentos
Não cabem no meu coração

Perduram no meu pensamento
Tantas das nossas memórias
Encerra-se o fútil lamento
À força que tem nossa história

Tu sabes que meu sentimento
Não muda por nada no mundo
E isso é só um fragmento
De algo que é muito profundo

Sei que fui desatento
E as rodas da vida giraram
Mas canto, a despeito de tudo
Pois nossos caminhos cruzaram

Sou grato por tê-la em minha vida
Na festa ou na guerra, onde for
Na vida só o que importa
É o que se faz por amor



Milagres

Vês, o céu torna a se abrir quando teus olhos reparam
E o sol já não projeta sombras do que tu não és
Passada a tempestade, tu percebes que ficaram
Apenas os vestígios de teu cíclico revés.

Traçastes teus caminhos, em completa oposição,
Ao que o coração sabia ser a única resposta,
Tu fostes resoluto em tua contradição
E vistes que o caminho era a direção oposta.

Quem dera ser possível corrigir o teu engano
Mas tu tivestes sorte, percebendo bem a tempo
Que o teu jeito inquieto não somava ao grande plano
E deu valor sincero a quem lhe trouxe crescimento.

Tu sabes que a fortuna vem de formas diferentes
E a ti foste estendido o mais verdadeiro amor
Atente-se ao que importa, seja grato e coerente
Milagres acontecem pra quem sabe dar valor.


terça-feira, 13 de maio de 2025

Justiça

                                                                             Distâncias 

Contemplo silenciosamente tua ausência,
Enquanto limpo a poeira de tudo aquilo que me cerca.
Tu deixastes marcas fundas nisso tudo,
Seja por lembrar de ti nesta cadeira velha
Ou de quando sentamo-nos na varanda de frente,
Amaldiçoando a vida que nos fizera assim,
Mesmo que houvesse em nós um prazer perverso
De guerrearmos, em palavras e afagos, por muitas e muitas noites.
Sim, querida, tu fazes falta.

Recordo-me ainda de como tudo começou entre nós,
Tu me eras como um capricho novo, daqueles com jeito pra causar grandes estragos.
Sabes como sou e como gosto dos estragos,
Não poderia haver por ti
- Além da clara curiosidade mórbida -
Senão um senso de amor profundo e sério,
Com efeito de tudo aquilo que representas para mim:
Tua pessoa e o cuidado que demandas o trato
De ti, meu animal raríssimo.

Diante de tudo isso, devo dizer que crescemos à parte um do outro,
Não é mesmo?
Por muito anos acompanhei teu sorriso e olhares distantes
- Tu sabes que sempre tive queda por teus olhos -
Como uma recordação retumbante do fracasso de minha pessoa.
Digo também que mereci,
Afinal crescemos à parte, os dois a despeito do tempo, do silêncio,
Da distância...
E embora doa-me saber, de dentro de mim, que dei as costas a felicidade,
Sei hoje que a marca da loucura me trouxe aprendizado
E passei a guardar-lhe (ou aguarda-lhe) com carinho,
Ignorante das chances que me vinham logo em frente.

E tu era apenas uma criança,
Deveria ter me ocorrido que o tempo constrói tudo,
Em lugar da simples negativa, por vezes repetida,
De que não eras para mim, de que não era para ser,
De que o amor já havia sido desperdiçado.

Poderia decorar esta memória com uma centena de versos tristes,
De canções tristes, de momentos tristes, daqueles dias mais tristes que vieram,
E tu e eu sabemos que nosso acervo de tristezas é vasto, meu bem.
Mas alegra-me saber que eles vieram e que foram contigo,
Alegra-me recordar de teu corpo no mar, de teu sorriso no sol,
Das inúmeras ligações trocadas,
E tudo aquilo que construístes, à parte de mim, mas que me enquadrava perfeitamente.

Num movimento delicado de minha pena,
Adiciono-lhe, em definitivo, às minhas viagens repartidas,
Afinal tu és uma parte tão imensa do que eu sou,
Talvez não saibas:
Hoje sigo acompanhando teus olhares
Em sonhos saturados de saudades.

Talvez a vida nos reserve um recomeço em outro dia,
Talvez a marca do passado seja a sorte escancarando teu riso,
Talvez tenha amado de menos e feito de menos por ti
Do que agora a justiça do cognac me propõe,
Mas de ti todas as memórias são incríveis,
Senhora distante, 

Mas tão próxima de mim.





quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

À única musa possível

Ouça,

O vento assobia esta noite uma canção menor,

Em melodia triste e sóbria, que nada diz sobre a perda,

Sobretudo a perda como um objeto ao qual atribuímos pertencimento,

Uma canção menor que diz apenas de saudades

E das coisas mais bonitas que um passado doce

- Sacramente - guarda.


Ouça,

Pois digo-te com a profundidade de todas as marés,

Com a natureza exposta de todas as serras,

Com a ciência das canções que outrora entoamos juntas,

Que corta-me tua dor,

Não por enxergar em ti qualquer coisa além de força,

Uma geológica força, que em tudo faz jus às ventanias que os amigos lhe atribuem,

Mas por sentir por ti apenas irmandade, uma irmandade que só nós sentimos,

E sentir como em meu próprio peito

Tudo aquilo que te afliges.


Ouça, 

Que em tudo ecoo tantas palavras tuas,

Não poderia por ti nutrir senão respeito,

Enquanto tantos buscam compreender a obra

Tu fostes tão fundo que encontrou o lado de dentro,

Mudando permanentemente a ordem de todas as coisas

E se hoje as tardes se escurecem com tua ausência,

Por tanto tempo fostes sol em minha vida.


Ouça,

Pois de fato o coração continuou,

A despeito de mim, como tu previstes,

Mas nunca a despeito de ti,

Nem um de nós sequer cogitou um destino no qual não nos entrelaçaríamos

Nem nunca houve por aqui outra vontade,

Pois tu és parte disto,

Como cada um de nós.


Segui teus passos de perto,

Em franca curiosidade biológica,

Observando experimentalmente tu emergires em asas de tuas cores,

Inimitavelmente tuas,

Inalteravelmente tuas,

E hoje vejo-te, além dos traços mais naturais, 

E da lucidez branda das palavras de carinho,

Apenas aquilo que os mestres antigos saberiam descrever,

Em silêncio e admiração.


E resta orgulho, por ti sempre sobrarás orgulho,

Pois fostes tu quem tantas vezes me mostrastes

Que orgulho é fruto da arte mais genuína,

É resultado do exercício honesto e da lapidação constante dos diamantes mais brutos,

E assim tu és, não apenas em arte, mas em vida,

Um trabalho inacabável de esmero exemplar,

Que a própria terra em reverência à tua presença

Recita as obras desta vã literatura,

Assobiando as melodias que tu amas

E fatalmente cantam apenas sobre ti.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Who am I from the back?

Once again you saw me leavin’ And again you start believin’ That someday I might be back But I left you now forever And I guess it’s now or never So I’ve really got to ask Who am I from the back?

Is the lack of hair that matters

Or the fact I’m wearing black

Please, you got to tell me

Who am I from the back?

As we’re leaving Philadelphia

For that old Chicago shack

Who am I from the back?


I know I’m not the same

As I walk out through that door

But I don’t know what became

Of the man I was before

It feels like I lost track

Or inside I have a crack

'Cause I may never know

Who am I from the back


You may not understand me

Or the places I’ve been at

But only you can tell me

Who am I from the back

I know it means so little

As you hope for love instead

But the only thing I offer

Is that glance into my back


One day I bought a mirror
What I saw made me mad

I looked into my face

And that face smiled back

I don’t know what became

Of that smile I used to wear

But actually doesn’t matter

Cause it’s never coming back

So you may even ask me

What’s the point of feeling sad?


I don’t know what I run from

I don’t know when to stop

But when I saw you crying

Well, it really hurts a lot

I know I’m not the same

So I’ve really got to ask

Who am I from the back?