quinta-feira, 21 de maio de 2020

Desarme

O novo encanto é sempre o mais intenso
Enfeitiça toda a criação poética.
Meu coração deseja, mas minha alma é cética,
Então guardo a mim tudo que penso.

Queria atravessar tudo isso ao lado teu,
Nutrir a mística que anuncia este romance,
Viver o máximo até que você se canse,
Mas não deseje se esquecer do que viveu.

Ah, pareço estar tão vivo agora,
Rendendo versos encantados para ti
Desejando que teu beijo me desarme...
Ah, como seria bom se fosse agora,
Dar sequência a tudo aquilo que senti
Desde quando me encantei pelo teu charme.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Doces Mais Doces

Gosto dos doces mais doces
Que explodem sabores intensos,
Mas logo me enjoam os sentidos
Por serem doces demais.

Gosto do açúcar que sobra,
A mão errada, com gosto,
Que escancara o exagero
Desses desejos banais.

Chego a ser deselegante...
O problema não é a frequência,
As doses são altas demais,
Como todos de uma vez só.

Nunca pensei no amanhã,
Nem sei do que será feito,
Mas não guardo nada
Com prazo de validade.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Versos Tricotados

Subitamente desaba a tempestade,
Toma meu peito por outra madrugada inteira,
E tão somente quando a sombra derradeira
Vai embora, volta a criatividade.

Queria o encanto da promessa fácil, mas
O coração ordena sempre outro caminho
E agora ponho-me a contar fio por fio
Desse novelo em que eu me envolvo e nada mais.

Nasce outro dia, desta vez peço que dure
Muito mais tempo do que os outros tem durado,
Acho que agora encontrei uma saída.
Veja bem, este presente é pra que o frio não perdure,
Sobre teus ombros estes versos tricotados
Serão o início do que nos vem em seguida.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Não Deseje Nada Além da Plenitude

Não deseje nada além da plenitude,
Nem o céu, nem as estrelas, nem o azul dos oceanos,
Não deseje que a sorte vá a encontro de seus planos,
Que os sonhos grandes trazem somente inquietude.

Não deseje a morte com palavras incoerentes,
Nem o céu, nem o inferno, nem jardim da salvação,
Não deseje que o tempo de descanso ao coração,
Pois tristeza e solidão são problemas recorrentes.

Não deseje força pra aguentar a tempestade,
Nem que o céu desague as águas em qualquer outro dia,
Não deseje o ombro amigo, que tuas dores alivia,
Tu tens o mesmo tamanho que a tua força de vontade.


Estridulação

Quando faltam-me as palavras, calo,

Como se calasse a própria alma inquieta

E remediasse, assim, toda vaidade.



Nos outros dias me derramo.

Como tenho derramado tanto de mim pelas noites,

No devaneio sonolento do crepúsculo desfaço-me,

Irreconciliavelmente,

E o sonho, caloroso, morre

Quando calo-me pela manhã.



Há poesia no silêncio e nas coisas

Não configuráveis,

A mística dos pontos pretos na parede branca,

A metafísica da estridulação dos grilos,

O feitiço do tempo.

Há poesia no silêncio e nas coisas

Que ignoro quando fecho os olhos,

Um mundo além do ideal

Recompondo-se a cada segundo.

Vês que o universo começa aqui,

Mas jamais entenderás sua real extensão

Enquanto mensurá-la com palavras.



Quando faltam-me as palavras, oiço,

Como se ouvisse a própria alma inquieta

E evitasse toda solidão

No canto manso do vento.