terça-feira, 10 de julho de 2018

Rabiscos #3

E ao fim do terceiro dia nada mudou para a gente
Sigo o curso displicente de agonias e saudades
Esperando que tu sintas pelo menos a metade
Dessa imensidão de rimas que me causa o peito ardente

Aqui estou novamente pra dizer que me entrego
E me rendo à sutileza que carrega a tua fala
Teus tons de delicadeza e a minha razão falha
Se negar que te desejo, eu seria apenas cego

É o hábito que faz com que as palavras tomem forma
Mas tudo o que tem por dentro são recortes de você
Entrelinhas silenciosas nas quais posso me perder
Aceito ser o seu de poeta, se é o que você me torna

Eu não tenho o que pedir, só desejo sua presença
Sei, me falta paciência, mas me sobre esta vontade
De te pegar pela mão e caminhar pela cidade
E partilhar as velhas notas de amor e de descrença

Isto não é um pedido, são apenas 20 linhas
Mas se eu pudesse pedir seria a tua companhia
Vou tentar outros rabiscos e quem sabe até um dia
Sobre um pouco de seu colorido para estas velhas rimas





Rabiscos #2

Torna isso aqui um hábito, eu escrevo e tu me lês
Se isso realmente agrada tenho muito para ti
São quinhentas mil palavras sobre tudo o que vivi
Mas só importam as palavras que vierem pra você

Tudo isso é muito novo, mas já está tão bom assim
E eu sou tão inseguro de que valho tua atenção
Mas se isso te agrada aceito a compensação
De saber que ter sorriso no final é para mim

Realmente me faltavam razões para rimar
Você trouxe um colorido diferente pra minha vida
Eu reúno minha alma que andava dividida
Pra viver o encantamento que você veio criar

São só rabiscos diferentes, não preenche esse vazio
Que eu percebo toda noite quando me deito à cama
A saudade do calor que só teu corpo emana
E esse inverno de minha vida é sempre muito frio

Isto não é um pedido, são apenas 20 linhas
Mas pensando bem eu peço pra que fiques mais um tanto
E quem sabe o que vem quando se concretiza o encanto?
Várias noites junto a ti, vários versos, várias rimas

domingo, 8 de julho de 2018

Rabiscos #1

Eu não faço ideia de por onde começar
Tenho em minhas mãos a ausência de tua pele
Poucos dias faltam pra que o tempo nos revele
Se o que nós começamos vale pra continuar

Você veio e em silêncio pôs teu corpo sobre o meu
E silenciosamente tomou conta do lugar
Agora soa injusto que me faças esperar
Mais seis dias pra torná-lo novamente teu

Eu encaro as tuas fotos e me diverte o pensamento
Que uma moça tão bonita realmente se interessa
E que talvez compartilhe um pouco desta pressa
De me ter por perto seja lá por quanto tempo

E eu queria tua presença, porque tudo intensifica
Os dias ficam mais vazios sem a sua companhia
Prometa-me não se apegar ao futuro que viria?
Rabisca o tempo que nos vem e dessa vez a gente fica

Isto não é um pedido, são apenas 20 linhas
Agindo assim apaixonado e colocando tudo em risco
Mas se me queres por perto, me desenha em teus rabiscos
Eu prometo que estarás em todas as minhas rimas

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Bagunça

Subi no alto de mim mesmo pra ver de onde vem a tempestade
E daqui vejo a bagunça que tenho feito pra mim mesmo
Enxergo muito bem outros caminhos que me esqueço
Enquanto a dura tempestade toma conta de minha vida

Daqui de cima o céu é claro, não há mais nuvens de tristeza
Nada mais dissipará o paraíso de minha mente
Enxergo muito bem os passos a seguir daqui pra frente
Enquanto aos poucos passa a chuva e chega a seca de minha alma

E no alto de mim mesmo venho me reencontrando
Descobrindo que nem sempre essa bagunça me contém
Enxergo que tenho guardado muito mais do que convém
Enquanto aos poucos cessa a névoa e o futuro nos acena

Escrevo tudo como penso, tudo que tenho sentido
E pode nem mesmo ter motivo tanta coisa misturada
Encerrada a onda errada a vida segue bagunçada
Escrevo coisas misturadas pra no fim fazer sentido

sexta-feira, 15 de junho de 2018

15 Mil Palavras

Vão se os tempos e as pessoas e a gente ainda fica aqui
Trocando cartas que nunca disseram nada do futuro
Uma hora te distrai, na outra eu que sou durmo
Mas vão se os tempos e as pessoas, enquanto a gente fica aqui

Deve haver um tempo pra gente chamar de nosso
Que não sejam alguns dias do passado já passado
E nem qualquer um dos dias que você tenha lembrado
Tudo isso é muito pouco pra explicar esse negócio

A gente segue se vendendo ao que trouxer compensação
Ignorando que no fundo só essa troca que compensa
Eu te falo o que eu sinto e você fala o que pensa
E depois de tanto fim deve haver satisfação

Ou dois tragos do cigarro que eu fumo nesta prosa
Ou quinze mil palavras que você tem pra dizer
Ou tudo aquilo que a vida nos reserva pra viver
Qualquer coisa que no fundo seja realmente nossa