Não tenho muito tempo
E que as palavras sobrem
Frases intermináveis sobre mil segredos
Que eu nunca lhe escondi
Incontáveis narrativas sobre meus medos
Dos momentos longe de ti
Talvez em arrependimento
Tantas lembranças voltem
Do falso moralismo que lhe impus
Dessa minha falta de respeito
Ajustar tua realidade a minha cruz
Desejando moldar algo imperfeito
Não nos sobre muita escolha
Vendo como o mundo roda
Se ao menos eu soubesse de mim...
Do real dano que lhe infrinjo
Todo esse teatro teria um fim
Dizendo o que sinto e o que finjo
Talvez outra tristeza te acolha
Pois a minha não mais lhe acomoda
E algum deserto vai me servir de exílio
Onde não posso machucar ninguém
A cicatriz que deixo em ti será teu utensílio
Na busca por um outro alguém
sábado, 5 de março de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Aceitação
Sentei pra recontar o tempo
Pra ver o quanto estou perdendo
E o tanto que estou lhe devendo
Tudo que nos afasta e nos faz um
O que ainda vou levar de ti
O que ainda vou mudar aqui
O que ainda vai sair de mim
E tudo o que começar e não tiver fim
Pra ver o quanto estou perdendo
E o tanto que estou lhe devendo
Tudo que nos afasta e nos faz um
O que ainda vou levar de ti
O que ainda vou mudar aqui
O que ainda vai sair de mim
E tudo o que começar e não tiver fim
domingo, 20 de fevereiro de 2011
6 de Maio
Meus pés doem
É tanta estrada, tanto chão
Do meu descanso eu abri mão
E ando enquanto ainda agüentar
Segui seu rastro em pensamento
E guardei teu endereço
Só lhe peço o que mereço
Pra apagar o teu pesar
Sonhos se constroem
Das várias chances de perdão
De cada beijo e abraço em vão
São todo o meu pensar
Fiz do teu nome mil poemas
Mas palavras se distorcem
Desdobram-se em meio ao vento
Gestos se desfazem
São restos de outros momentos
Talvez só meros contratempos
É tudo aquilo que restar
É tudo que já cansei de te falar
Já não há espaço só pra mim
Eu fiz a casa pra nós dois
Deixei tudo pra depois
Não cabe a minha solidão
Eu te segui até aqui
Só pra segurar sua mão
E destruindo minha razão
Dizer pra ti tudo que sou
Guardei pra ti o que restou
Do que chamavam coração
Guardei pra ti o que ficou:
Meus olhos sem nenhuma cor
E suas molduras já profundas
Escondem dores absurdas
Escondem amores e o que for
Que quiser levar de mim
Seja eterno ou passageiro
Ou apenas veraneio
Se for incerto
É certo que te buscarei
Nem que apenas em algum sonho antigo
Mesmo com toda a certeza do perigo
Vale a pena por você
É tanta estrada, tanto chão
Do meu descanso eu abri mão
E ando enquanto ainda agüentar
Segui seu rastro em pensamento
E guardei teu endereço
Só lhe peço o que mereço
Pra apagar o teu pesar
Sonhos se constroem
Das várias chances de perdão
De cada beijo e abraço em vão
São todo o meu pensar
Fiz do teu nome mil poemas
Mas palavras se distorcem
Desdobram-se em meio ao vento
Gestos se desfazem
São restos de outros momentos
Talvez só meros contratempos
É tudo aquilo que restar
É tudo que já cansei de te falar
Já não há espaço só pra mim
Eu fiz a casa pra nós dois
Deixei tudo pra depois
Não cabe a minha solidão
Eu te segui até aqui
Só pra segurar sua mão
E destruindo minha razão
Dizer pra ti tudo que sou
Guardei pra ti o que restou
Do que chamavam coração
Guardei pra ti o que ficou:
Meus olhos sem nenhuma cor
E suas molduras já profundas
Escondem dores absurdas
Escondem amores e o que for
Que quiser levar de mim
Seja eterno ou passageiro
Ou apenas veraneio
Se for incerto
É certo que te buscarei
Nem que apenas em algum sonho antigo
Mesmo com toda a certeza do perigo
Vale a pena por você
domingo, 30 de janeiro de 2011
O Muro
"Tinha toda a vida diante de mim, fechada como um saco, e entretanto tudo quanto havia lá dentro continuava inacabado.
Tentei, num momento, julgá-la. Quisera dizer: foi uma bela vida.
Mas não se podia fazer um julgamento, pois ela era apenas um esboço; havia passado o tempo todo fazendo castelos para a eternidade, não compreendera nada.
Não tinha saudades de nada; havia uma porção de coisas das quais poderia sentir saudades, (...); a morte, porém, roubara o encanto de tudo."
Jean-Paul Sartre . O Muro
Tentei, num momento, julgá-la. Quisera dizer: foi uma bela vida.
Mas não se podia fazer um julgamento, pois ela era apenas um esboço; havia passado o tempo todo fazendo castelos para a eternidade, não compreendera nada.
Não tinha saudades de nada; havia uma porção de coisas das quais poderia sentir saudades, (...); a morte, porém, roubara o encanto de tudo."
Jean-Paul Sartre . O Muro
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Aos Capricornianos em Minha Vida
Do tempo se fez toda a certeza
E com o tempo se desfez
A pressa e a ansiedade
No signo da objetividade
Conscientes dos limites
Limitados a própria vida
Pacientes jogadores
Responsáveis protetores
Naturalmente ambiciosos
Humanamente receosos
A busca de toda plenitude
Em sua própria atitude
Capricórnio, Pã dos homens
Autores do seu próprio tempo
Senhores da capacidade
Tem em si a qualidade
Pra alcançar tudo que almejam
Lutar pelo que desejam
No seu tempo, sua vida
Faz o tempo, faz a vida
E com o tempo se desfez
A pressa e a ansiedade
No signo da objetividade
Conscientes dos limites
Limitados a própria vida
Pacientes jogadores
Responsáveis protetores
Naturalmente ambiciosos
Humanamente receosos
A busca de toda plenitude
Em sua própria atitude
Capricórnio, Pã dos homens
Autores do seu próprio tempo
Senhores da capacidade
Tem em si a qualidade
Pra alcançar tudo que almejam
Lutar pelo que desejam
No seu tempo, sua vida
Faz o tempo, faz a vida
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