"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também."
Oswaldo Montenegro
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 6 de novembro de 2010
Nada Real
Era só um homem, só um sentido
Olhos manchados sentimento escondido
Era só um e só mais um a sós
Mãos tremulantes e um medo na voz
Era algum alguém, alguém qualquer
Que vive o dia sem saber o que quer
Era brilho talvez ou só reflexo
Tão simples por ser complexo
Ela não era o que queria ser
Não devia, não podia, queria temer
Não era nem foi, nunca feita pra dois
Não era de pensar no que fazer depois
Tendia pro nada, esquecida ou lembrada
Rodava sempre assim, na mesma estrada
Sempre parando nos mesmos pontos
A mesmas personagem de tantos contos
Eles? Acaso, costume, destino
É assim, ou salário ou cassino
Eles eram limites, ou só limitados
Eram raríssimos sorrisos roubados
Eram a síntese do que não se controla
Coração ou cabeça, saudade que assola
Os dois que nunca seriam dominados
Mais uma vez hoje juntos, tomados
Olhos manchados sentimento escondido
Era só um e só mais um a sós
Mãos tremulantes e um medo na voz
Era algum alguém, alguém qualquer
Que vive o dia sem saber o que quer
Era brilho talvez ou só reflexo
Tão simples por ser complexo
Ela não era o que queria ser
Não devia, não podia, queria temer
Não era nem foi, nunca feita pra dois
Não era de pensar no que fazer depois
Tendia pro nada, esquecida ou lembrada
Rodava sempre assim, na mesma estrada
Sempre parando nos mesmos pontos
A mesmas personagem de tantos contos
Eles? Acaso, costume, destino
É assim, ou salário ou cassino
Eles eram limites, ou só limitados
Eram raríssimos sorrisos roubados
Eram a síntese do que não se controla
Coração ou cabeça, saudade que assola
Os dois que nunca seriam dominados
Mais uma vez hoje juntos, tomados
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Pegadas
Tuas mãos se calam, sem se mover
Seus pés então param, sem ter pra onde correr
Estás parada em meu mundo a esvaecer
Sua boca se meche, mas a voz só mente
Não está aqui, nem em lugar algum
E vês cada um passar sendo só um
Pertences a si e a homem nenhum
Enquanto o chão segue em sua frente
E eu estou aí, na sua sombra, no muro
Decidido a pular, a refazer um futuro
Contudo seu rastro se esconde no escuro
Siga. A mente para, mas o corpo consente
Teus braços, nem sei se me tem
Nem sei se o queres também...
Pois se teus olhos não me vêem
Teu coração não me sente
Seus pés então param, sem ter pra onde correr
Estás parada em meu mundo a esvaecer
Sua boca se meche, mas a voz só mente
Não está aqui, nem em lugar algum
E vês cada um passar sendo só um
Pertences a si e a homem nenhum
Enquanto o chão segue em sua frente
E eu estou aí, na sua sombra, no muro
Decidido a pular, a refazer um futuro
Contudo seu rastro se esconde no escuro
Siga. A mente para, mas o corpo consente
Teus braços, nem sei se me tem
Nem sei se o queres também...
Pois se teus olhos não me vêem
Teu coração não me sente
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Hoje Eu Quero Lhe Falar...
Então, senta aqui. Por hoje basta
De nada mais preciso, nada quero
Em ti nada procuro, nada espero
Só o mundo inteiro que seu corpo arrasta
Me envolva hoje, como sempre fazes
E nada mais eu digo, eu calo
E só o que quiser ouvir eu falo
Seja de mim ou de outros rapazes
E deixa eu me perder em qualquer gesto
Deixa que minha dor somente eu choro
E ainda assim em cada lua melhoro
Deixa que meu amor eu mesmo testo
Deixa que meu caminho eu mesmo traço
E passando por você é bem melhor
E cada passo do caminho eu sei de cor
E no fim, só me guarde em seu abraço
De nada mais preciso, nada quero
Em ti nada procuro, nada espero
Só o mundo inteiro que seu corpo arrasta
Me envolva hoje, como sempre fazes
E nada mais eu digo, eu calo
E só o que quiser ouvir eu falo
Seja de mim ou de outros rapazes
E deixa eu me perder em qualquer gesto
Deixa que minha dor somente eu choro
E ainda assim em cada lua melhoro
Deixa que meu amor eu mesmo testo
Deixa que meu caminho eu mesmo traço
E passando por você é bem melhor
E cada passo do caminho eu sei de cor
E no fim, só me guarde em seu abraço
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Certamente
Se perder é se achar, em outro plano, outro som
Se achar é só um modo de pensar no que é bom
Então ache, enquanto eu acho você, no céu que cai
Se ficar é se apagar perante tantos olhos certos
Quem sabe me queimar é te esperar, braços abertos
Quem sabe que não sabe, certamente, sabe demais
Olhe para o céu, hoje a noite, meu bem
Veja como as estrelas já não brilham mais por ti
Veja como a lua não quer mais ficar aqui
Veja, a noite vai. Sinta como o medo vem
Mas continue olhando, vigiando pontos que caem
No fundo, queres um pra si, eu sei
E o mundo, reles peça que eu criei
Já não serve mais, pois tantos outros lhe atraem
E se encontre de verdade em outras cores
Enquanto eu te procuro em outros amores
Outras dores virão, com a certeza de outro dia
Quem sabe outros sabores pra essa vida fria
Só não espero que me aguardes
Bem melhor que isso, me guardes
Como doce e passageira recordação
Um rosto qualquer em qualquer ilusão
E se achar será se perder, perder um som, um plano
O bom da vida será o tempo passando de ano em ano
Eu acho você e não me acho mais em nada
Te apagar só pra ficar de olhos abertos
E me queimar, em outros braços, incertos
Sei nada, enquanto seguir a estrada errada
Se achar é só um modo de pensar no que é bom
Então ache, enquanto eu acho você, no céu que cai
Se ficar é se apagar perante tantos olhos certos
Quem sabe me queimar é te esperar, braços abertos
Quem sabe que não sabe, certamente, sabe demais
Olhe para o céu, hoje a noite, meu bem
Veja como as estrelas já não brilham mais por ti
Veja como a lua não quer mais ficar aqui
Veja, a noite vai. Sinta como o medo vem
Mas continue olhando, vigiando pontos que caem
No fundo, queres um pra si, eu sei
E o mundo, reles peça que eu criei
Já não serve mais, pois tantos outros lhe atraem
E se encontre de verdade em outras cores
Enquanto eu te procuro em outros amores
Outras dores virão, com a certeza de outro dia
Quem sabe outros sabores pra essa vida fria
Só não espero que me aguardes
Bem melhor que isso, me guardes
Como doce e passageira recordação
Um rosto qualquer em qualquer ilusão
E se achar será se perder, perder um som, um plano
O bom da vida será o tempo passando de ano em ano
Eu acho você e não me acho mais em nada
Te apagar só pra ficar de olhos abertos
E me queimar, em outros braços, incertos
Sei nada, enquanto seguir a estrada errada
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