"Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira."
Cecília Meireles
Aprendi a gostar das Primaveras,
a esperar-te na porta, sem nem ao menos saber se um dia de fato voltarias.
Aprendi também a temer os Invernos,
que sempre vêm destruir tudo o que eu havia plantado,e guardado pra te dar.
Aprendi que as Primaveras nem sempre vêm,
mas quando estão aqui são suficientes pra me resgatar de um insensato desejo
Aprendi que os Invernos as vezes não acabam,
prendem-se a mim e vão congelando cada parte do meu corpo, até mesmo meu pobre coração
Aprendi que a Primavera me da coragem
e só pede em troca que eu de fato a use
Enquanto o Inverno me da apenas angústia
Solidão e alguma inspiração pra que me mascare, ou não
Aprendi que posso ser bem mais feliz vivendo a Primavera do que esperando o Inverno acabar.
sábado, 9 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
E Se
"Se em um instante se nasce e um instante se morre,um instante é o bastante pra vida inteira"
Cecília Meireles
------
E se for só saudade?
Não passar de uma lembrança?
Se for apenas por maldade
Ou quem sabe insegurança?
E se tudo se repetir?
Se for só um modo de fugir?
E se for tudo mentira?
Quem sabe a vida interfira?
Mas e se for tudo verdade?
E se tudo, enfim, der certo?
E se não for só momento?
Se os dois tem as mesmas vontades
E podem enfim ficar por perto
Porque apagar o sentimento?
Cecília Meireles
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E se for só saudade?
Não passar de uma lembrança?
Se for apenas por maldade
Ou quem sabe insegurança?
E se tudo se repetir?
Se for só um modo de fugir?
E se for tudo mentira?
Quem sabe a vida interfira?
Mas e se for tudo verdade?
E se tudo, enfim, der certo?
E se não for só momento?
Se os dois tem as mesmas vontades
E podem enfim ficar por perto
Porque apagar o sentimento?
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Insolitude
Plena In Solidão
Solitude é nó
Insólito só
A plenitude e o não
Sois sóis lá onde não há
Qualquer outra razão
Qualquer outro a lutar
Por pura interpretação
O mundo é seu campo de batalha
Onde se luta sem poder errar
É você dentro da falha
Que é o próprio verbo pensar
Sois insolúveis verdades
Sois insensatez e só
Só...
Vestígios de estrada e pó
Tantas certezas incertas
Plenitude nas vontades
Tantas duvidas encobertas
Solitudes, só vaidades
Sois saudades
De tempos não passados
De dias não chegados
De outras e outras grades
Plena In Solidão
Solitude é nó
Insólito só
A plenitude e o não
Sois sóis e apenas
Razões que o tempo mude
Sois vozes e cenas
Sois plena Insolitude
----
Aguarde-nos
Solitude é nó
Insólito só
A plenitude e o não
Sois sóis lá onde não há
Qualquer outra razão
Qualquer outro a lutar
Por pura interpretação
O mundo é seu campo de batalha
Onde se luta sem poder errar
É você dentro da falha
Que é o próprio verbo pensar
Sois insolúveis verdades
Sois insensatez e só
Só...
Vestígios de estrada e pó
Tantas certezas incertas
Plenitude nas vontades
Tantas duvidas encobertas
Solitudes, só vaidades
Sois saudades
De tempos não passados
De dias não chegados
De outras e outras grades
Plena In Solidão
Solitude é nó
Insólito só
A plenitude e o não
Sois sóis e apenas
Razões que o tempo mude
Sois vozes e cenas
Sois plena Insolitude
----
Aguarde-nos
domingo, 3 de outubro de 2010
Motivo
"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste,
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
mais nada."
Cecília Meireles
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste,
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
mais nada."
Cecília Meireles
sábado, 2 de outubro de 2010
A Valsa de Esmeralda
Por que valsas, Esmeralda?
Por que bailas, triste assim?
Qual falta grita em sua alma
Que soa em cordas de bandolim?
Esmeralda, segue a dança
Segue o som, caminho seu
Só seguindo se alcança
O que a muito se perdeu
Quem sabe a liberdade falsa?
Quem sabe um motivo qualquer?
Quem sabe por que a valsa
É tudo aquilo que se quer?
Segue o passo, Esmeralda
Siga e passe sem olhar
Que o povo assim te aplauda
Apenas por te ver passar
Segue a trilha, segue o rumo
Siga o vento que soprar
E assim que for eu sumo
Sempre a te procurar.
Por que bailas, triste assim?
Qual falta grita em sua alma
Que soa em cordas de bandolim?
Esmeralda, segue a dança
Segue o som, caminho seu
Só seguindo se alcança
O que a muito se perdeu
Quem sabe a liberdade falsa?
Quem sabe um motivo qualquer?
Quem sabe por que a valsa
É tudo aquilo que se quer?
Segue o passo, Esmeralda
Siga e passe sem olhar
Que o povo assim te aplauda
Apenas por te ver passar
Segue a trilha, segue o rumo
Siga o vento que soprar
E assim que for eu sumo
Sempre a te procurar.
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