sexta-feira, 7 de maio de 2010

Poesia Rima Com Nostalgia Pt.4

Poesia Rima Com Nostalgia

Depois de muita caminhada
Nos vemos nos mesmos lugares
E vemos que não mudamos nada
Só estamos um pouco mais vulgares

E no quarto mês sem mim
Meu corpo foi se acostumando
Quem sabe daqui até o fim
Algo enfim vá melhorando


E como sempre nunca acaba
E só resta versos pra agonia
E como sempre isso traz
Mais motivos pra poesia

E eu vou de novo ao seu encontro
E levo comigo o que sempre guardei,
Aquelas velhas palavras suas,
E cada momento em que eu te amei

Eu sei que não era pra ser assim
E que eu como sempre, pus tudo a perder
Sei que sempre sobra a despedida
Mas juro que sempre tentei entender

Saiba que nada me cura
Eu já lhe expliquei, amor
Sobre os meios de esquecer
E levar a vida sem rancor

E dos erros irreparaveis
Quero fugir, só ir embora
Não tenho espaço pra guerras
Já passou da minha hora

E nesta cama eu me deito
Coberto em frases que falei
E no final sou só um escravo
Desta vida que manchei

Quantas vezes disse
Que só não da pra ser
Não da pra prosseguir
A lugar nenhum sem você

E nada é como eu escolhi
E isso me faz ser bem menos
Do que poderia ser
E eu me entrego aos meus venenos

Acho que no fim eu quero
E não lembrar do fim
E não quero mais sentir
Ou ouvir falar de mim

Meu eu-lírico jaz morto
Soterrado em notas breves
Esmagado pelo peso
Das palavras nunca alegres

Quem dera hoje sublimar
Ou ser falso e inconcreto
Só um jeito de fugir
Desse mundo tão concreto

Já não há passagens
Nem mesmo histórias
Nem mensagens
Apaguei as memórias

Rasgarei as fotografias
E tudo que houver de errado
Se posso ser esquecido, esquecerei
você que está ao meu lado

E no meu sonho havia tanto
Concreto caído ao chão
E vários destinos certos
Mortos na contra-mão

Não fugirei, não mais
Está na hora da entrega
Não há mais como sair
Pois não saida pra quem nega.

Filosofias de bar
Tudo é igual
E que as frases durem um mês
Ou até o final

Pois minhas pegadas já marcaram
Um caminho só da minha alma
A escolha da solidão
Foi feita com calma

Depois de nunca dar em nada
Cansei dos mesmos lugares
E parto pra outra caminhada
Buscando outros lugares

E no quarto mês sem fim
Meu corpo foi melhorando
Quem sabe o melhor pra mim
E ir logo se acostumando

Vapor nas Ruas

E aqui me encontro morto
Ao sol de um dia quente
Que não é nunca diferente
De todos esses dias tão iguais

E já que não me sobra nada
Nem mesmo uma mulher amada
Ou Luta armada
Nem mesmo guerra de ideais

De que me vale o peito exposto
E a dor que eu levo no rosto
Se não há em mim algum real valor?
Ou bem pior do que a morte
Quem sabe essa pouca sorte
Ter nascido e não virar vapor...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ruinas

Me falta alguma coisa...
Não sei dizer o que é ao certo
Nem sinto que estou perto
De realmente descobrir.

Esse espaço me sufoca
Mas não sei o preencher
E não da mais pra entender
Até que ponto eu devo ir

Esse espaço lhe pertence
Mas aqui já não lhe quero
E agora eu só espero
A ferida se fechar

E a solidão de novo vence
Mas já ando novas trilhas
E esquecerei as ruinas
Que você só me faz lembrar

domingo, 2 de maio de 2010

Seguir em Frente

Certa vez ouvi dizer
Sobre o conceito de viver
Que era algo como
Seguir em frente e esquecer

Hoje eu tento de mil formas
Concertar as velhas normas
Que eu já não sei mais cumprir
E quem sabe de algum jeito
Corrigir esse defeito
Que não me deixa mais sorrir

Não quero me guardar em traumas
Nem me entregar de corpo e alma
Nem entregar nada afinal
Seguir em frente e esquecer
Pra então poder viver
E poder ser diferente
No final...

Cansei de ser igual
E de te ver igual
Já que não vamos mudar
Vou esquecer e caminhar
Pra ver se assim
Enfim
Aprendo

O Humano Merlin

Já não era mais o mesmo
Merlin, o antigo mago
Não havia mais passos a esmo
Não havia mais gole ou trago

Seus olhos cansados no espelho
Refletiam o que ele já não queria ver
Não havia mais razão ou conselho
Não havia mais razão de ser

Barba e cabelo emolduravam o rosto
E todas as marcas de noites em claro
Um sorriso amarelo de puro desgosto
E que distribuia um sorriso raro

Não havia mais gente na sala a entoar
Os velhos cânticos dos dias melhores
O silêncio calou as histórias do lar
E do lado de fora não havia mais vozes

Já não havia em sua mão um cajado
Já não havia em sua casa um quintal
Não havia mil druidas a seu lado
Nem mesmo algum ser espiritual

Já não havia mais folhas pra se conversar
E nem mesmo Deuses, nem Lua nem Sol
Não havia mais motivos para se orar
Não havia mais pesca, nem vara ou anzol

Um druida a sós não passa de um louco
Não há razão pra viver sabedoria parada
E se de sua imensa vida aproveitara tão pouco
Agora então, não lhe restara mais nada

Não havia mais vida em seu bosque sagrado
Não havia mais nada de sagrado em sua vida
Não havia mais bosque, nem Merlin, nem mago
Não havia mais vida pra ser mal vivida